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Depois que Fui Embora, o Canalha Ficou Louco romance Capítulo 459

À noite, um carro preto e reluzente entrou lentamente na propriedade. Eduardo havia bebido um pouco demais e, ao descer, estava cambaleante.

— Cuidado, Sr. Eduardo. — O motorista correu para ampará-lo.

— Não tem problema. — Respondeu ele, com um leve aceno.

Com o paletó sobre o braço, entrou pela porta. Ao trocar de sapatos, ficou imóvel por um instante. Sob a luz amarelada, Yasmin descia as escadas, provavelmente para beber água. Quando ouviu o som da porta, olhou para ele, e ele, para ela. Ambos pararam.

A voz dele saiu rouca:

— Está com sede? Espera um pouco, eu pego água para você.

Yasmin recusou:

— Não precisa, eu mesma pego.

Ela estava grávida e se movia com lentidão. Ela chegou até a copa, pegou um copo de vidro e o encheu de água morna. Bebeu metade e se deteve, porque ouviu passos atrás de si, e logo veio o som da porta sendo fechada levemente. O espaço pequeno agora continha apenas os dois, um homem e uma mulher sozinhos.

O copo deslizou dos dedos delicados e repousou sobre a mesinha. A mulher baixou o olhar. Sob a luz, seu rosto oval parecia ainda mais branco e suave. Sua voz soou baixa na noite:

— Você bebeu demais.

O homem, com as costas contra a porta, olhava em silêncio para as costas dela, para o corpo desajeitado de gestante.

Talvez tivesse mesmo bebido demais. Um instante depois, ele estendeu a mão, segurou sua cintura, se inclinou e apoiou o queixo em seu ombro. A voz dele saiu grave e rouca:

— O bebê está bem? Tem se mexido muito?

— Você bebeu demais. — Ela repetiu.

Eduardo franziu o cenho ao responder:

— Não bebi tanto assim, pelo menos não a ponto de estar bêbado. Yasmin, eu sinto sua falta. E só agora, só quando estamos sozinhos, tenho coragem de dizer isso.

Ou talvez fosse o álcool que lhe dava coragem.

A noite estava silenciosa, e dentro dele ecoavam dores e saudades que não podiam ser ditas. Viviam sob o mesmo teto, mas separados pelo peso das convenções. Precisava esconder os sentimentos, fingir normalidade, tratá-la como a viúva de Elder... Quando, na verdade, ela era o amor da juventude dele, e o feto que ela carregava era seu.

— No compromisso de hoje, a mulher da empresa que queremos fechar parceria foi um pouco ousada demais. Mas eu não toquei nela, e não vou ter mais nada com mulher nenhuma. Eu vou ser fiel a você, de corpo e alma.

Desde a morte de Elder, Yasmin raramente falava com ele, muito menos sobre sentimentos. Mas agora, precisava ser clara.

Ela baixou os olhos e sorriu, com leveza:

— Eu já não me importo, Eduardo! Não quero te prender, não me espere. Na minha vida, já não há mais lugar para você. No meu futuro, também não. Só quero criar meus filhos em paz. Quanto à Empresa Flyer e às coisas em casa, você ajudou muito, e sou grata... Mas, a partir de agora, pode ir embora. Eu sei me virar, sempre fui sozinha. O Elder achava que eu precisava de alguém, mas ele se enganou.

Lá fora, trovões romperam o silêncio. A chuva caía pesadamente, como na noite da morte de Elder. Yasmin olhou para a janela, o clarão do relâmpago iluminando seu rosto pálido.

Na copa, o rosto de Eduardo empalideceu.

— E o nosso passado, Yasmin? — A voz dele vacilou. — E nós? E o nosso passado? Já temos a Jéssica, e até o bebê que você carrega, mesmo que tenha sobrenome Freitas, é meu sangue!

O trovão ribombou, e um estalo seco ecoou junto.

O tapa dela acertou o rosto de Eduardo com força.

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