Sempre que Diego saía em missão, ele se preparava mentalmente para a possibilidade de uma morte acidental. Após se conformar com essa ideia, o pânico em seu coração diminuía consideravelmente.
Neste momento crítico, enquanto ouvia silenciosamente a conversa, um clarão de lucidez atravessou sua mente.
— Jocelino, espere um pouco! — Aeliana agarrou bruscamente o braço dele. — Lembro-me de que, no caminho por onde entramos, parecia haver um canal de drenagem abandonado no lado leste.
Ela continuou, raciocinando rápido:
— Com base no mapa estrutural que vimos antes, acho que consigo deduzir a localização aproximada desse canal.
A região da fronteira esteve em guerra por anos. Esses canais subterrâneos foram reforçados especificamente para resistir a ataques aéreos. A estrutura principal é de concreto armado, muito mais segura do que as fundações da fábrica comum onde eles estavam agora.
Além disso, como haviam entrado rastejando por passagens secretas, Aeliana teve uma intuição: aqueles túneis subterrâneos certamente se conectavam ao canal de drenagem.
Aeliana falava rápido, mas cada palavra era clara e poderosa, seus olhos fixos em Jocelino com intensidade.
Jocelino virou-se imediatamente, seu olhar penetrante fixou-se nela. Sem perder tempo com palavras desnecessárias, foi direto ao ponto:
— Você tem certeza?
— Absoluta.
Aeliana sustentou o olhar inquisitivo dele, sem hesitar no tom:
— Estudei aquele mapa repetidas vezes antes de vir para cá. Ficar aqui é a opção mais perigosa agora. Só teremos chance de sobreviver se nos movermos. É a nossa única cartada. A entrada deve estar logo à frente, depois da curva. Vamos arriscar!
Aeliana olhou para o grupo. Embora seu coração estivesse inquieto, seu olhar permanecia extraordinariamente firme.
Ninguém ali era covarde. Após ouvirem Aeliana, ninguém se opôs; todos concordaram com a proposta.
— Certo.
Décio se equilibrou, ignorando a dor, e exclamou em voz baixa, chutando os entulhos ao lado.
A luz varreu o local, revelando várias portas anti-explosão que pareciam incrivelmente pesadas, aparentemente removidas de alguma instalação importante. Embora as bordas estivessem um pouco enferrujadas, a estrutura geral permanecia intacta. Estavam encostadas na parede como escudos gigantes abandonados.
Ao ver aquelas portas blindadas, os olhos de Diego brilharam.
— Isso é ótimo! Isso foi sorte pra caramba! Aquele homem misterioso deve ter removido isso de propósito para nos prejudicar! Ele jamais imaginaria que, por uma ironia do destino, nós as encontraríamos e as usaríamos.
Ele riu, triunfante:
— Hahahaha, eu adoraria ver a cara daquele sujeito se soubesse disso!
O homem misterioso os havia feito sofrer tanto que Diego guardava um rancor especial por ele.

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