Infelizmente para eles, não importava o que pensassem, a derrota era certa.
No outro lado do quarto, Aeliana estava ajoelhada ao lado de Eduardo, totalmente concentrada na aplicação das agulhas.
Gotas finas de suor brotavam em sua testa, mas seus movimentos ao inserir as agulhas permaneciam firmes.
Jocelino ouviu os gritos de Simone e lançou um olhar gélido em sua direção.
Jocelino conhecia bem Reinaldo. Por mais insano que Reinaldo fosse, ele não atentaria contra a vida de Eduardo.
O fato de Eduardo estar nesse estado certamente tinha o dedo de Simone, instigando e provocando! Simone era a verdadeira culpada!
O tom de Jocelino era plano, sem oscilações, mas cada palavra cortava como uma faca, indo direto ao coração.
— Tio Reinaldo e Simone, quando ouviram a confirmação de que tínhamos morrido, devem ter ficado muito felizes, não é?
— Você nem se deu ao trabalho de manter as aparências. Nem montou meu velório e já correu para convocar o conselho administrativo, ocupado em contar a 'herança' do vovô e assumir os negócios principais...
— Eu não morri na fronteira como você desejava. Tio Reinaldo, você deve estar muito decepcionado, certo?
Reinaldo ficou com o rosto variando entre o verde e o roxo, mas mesmo naquele momento, tentou manter a pose, tentando usar sua autoridade de mais velho.
— Jocelino! De qualquer forma, sou seu tio e seu ancião. Você não tem provas, quer me caluniar?
— Nós não sabíamos que você estava vivo. Com você fora, eu certamente tinha que assumir o Grupo Barreto!
— Ou você queria ver o Grupo Barreto falir e cair nas mãos de estranhos?
— Não estou falando disso. Estou falando do vovô!
Reinaldo ainda tentava inverter a culpa, o que fez Jocelino rir de raiva.
— Eu... eu não! Você está mentindo!
Com os pés fora do chão e respirando com dificuldade, Reinaldo lutava em vão para se justificar, com o rosto vermelho.
— Foi o próprio papai que não aguentou e desmaiou ao ouvir a notícia da morte de vocês! Nós estávamos prestes a chamar um médico!
— Chamar um médico?
Jocelino parecia ter ouvido a piada mais absurda do mundo. Seu olhar varreu os cacos da xícara de chá medicinal no chão, as janelas fechadas e a porta trancada por dentro.
— Chamar um médico exige trancar todas as portas e janelas por dentro?
— Exige colocar tantos guarda-costas na porta, sob o pretexto de 'proteção', mas na verdade impedindo qualquer entrada ou saída?
— Tio Reinaldo, você realmente acha que ainda sou aquela criança de três anos que vocês podiam enganar com alguns doces e palavras bonitas?

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