O que mais doía em Heloisa não era a disputa pelo Grupo Barreto, pois ela nunca achou que a empresa devesse ser dela por direito. O que lhe gelava o coração era o fato de Reinaldo não ter demonstrado o mínimo de humanidade; ele sequer avisou a ela ou a Eduardo e, pelas costas deles, anunciou a morte de Jocelino nos noticiários.
— Heloisa, não venha descontar em quem não tem culpa!
— E você, Jocelino! Com que base você diz que o estado do papai é culpa nossa? Vocês não têm provas, como ousam nos caluniar!
Simone, passada a surpresa inicial, também reagiu. Jocelino e os outros só viram que eles não haviam ligado para o SAMU, mas não tinham provas concretas de que o estado de Eduardo fora causado diretamente por Reinaldo!
Todos ficaram em silêncio, chocados com a desfaçatez de Simone.
— Sra. Simone, você acha que somos todos idiotas?
— Você quer provas, não é? Eu as tenho aqui!
Quando a raiva atinge um certo nível, a pessoa acaba rindo. Benício olhou para a arrogância de Simone e riu, uma risada cheia de indignação e tristeza.
— A Sra. Simone gostaria de ver agora as gravações de segurança que eu fiz secretamente nos últimos dias? Quer ver como vocês trataram o patrão durante esses dois dias?
Benício tirou um celular do bolso interno do paletó, com um olhar carregado de decepção e ódio.
— O patrão... ele já previa que um dia isso poderia acontecer! Todas as provas de como vocês o maltrataram e o mantiveram em cárcere privado, eu guardei tudo conforme as ordens dele!
Jocelino pegou o celular imediatamente, deslizou o dedo pela tela e abriu rapidamente alguns arquivos de vídeo.
As imagens registravam com clareza Reinaldo e Simone gritando com um Eduardo debilitado, empurrando-o brutalmente e até arrancando um copo de água de suas mãos.
Os olhos de Jocelino ficaram vermelhos/injetados de raiva, e a atmosfera ao redor ficou pesada e sufocante.
Ele caminhou passo a passo em direção a Reinaldo, que agora tinha o rosto cor de terra. Cada passo de Jocelino parecia pisar no coração do tio, e sua voz era tão fria que poderia congelar o ar.
— Tio Reinaldo, é isso que você chama de deixar o vovô 'descansar em paz'?
— Na hora, eu pensei em ligar para o SAMU, mas foi a Simone que não deixou! Eu sei que, com as coisas neste ponto, nada do que eu disser vai adiantar, mas eu realmente me arrependo!
Simone, que ainda tentava argumentar, parou estupefata e olhou para Reinaldo, incrédula. No fim, na hora do aperto, cada um tenta se salvar.
Reinaldo estava jogando toda a responsabilidade nas costas dela.
Ao ouvir isso, Simone começou a gritar e a bater em Reinaldo:
— Reinaldo, seu desgraçado! Eu disse aquelas coisas para o bem de quem? Na hora você não se opôs a nada, e agora quer jogar toda a culpa em mim?
— Você está sonhando!
— Chega!

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