Depois de muito tempo, a linha tensa do maxilar de Wallace suavizou-se lentamente, e seu olhar para Jocelino adquiriu um certo grau de satisfação.
— Muito bem. — A voz de Wallace era rouca, mas clara. — Eu acredito em você.
Ele estendeu a mão e segurou com força o pulso de Jocelino, de forma solene e séria.
— Aeliana é uma menina teimosa; se você for bom para ela uma vez, ela lhe retribuirá dez vezes.
— De agora em diante... cuide bem dela.
— Eu cuidarei. — Jocelino segurou a mão trêmula do velho em resposta, sentindo um peso no coração ao toque daquela palma. Ele se inclinou levemente para que seus olhos ficassem no mesmo nível dos do idoso. — Eu lhe prometo.
...
Chegou o prazo de cinco dias, e Gervásio foi ao local combinado, aguardando Reinaldo para a venda das ações restantes do Grupo Oliveira.
Quinto dia, à tarde.
Na sala reservada do Maré de Café, no centro da cidade, Gervásio ajeitou a gravata pela terceira vez.
Hoje ele fizera questão de chegar uma hora antes, escolhendo o canto mais discreto. Seus dedos tamborilavam inconscientemente na mesa de mogno, produzindo um som abafado.
Quando o garçom entrou com o café, notou que o café especial diante do cliente estava intocado, mas o cinzeiro já acumulava duas bitucas de cigarro.
— Senhor, deseja mais alguma coisa?
Perguntou ele com cautela.
Aquele Sr. Costa já estava sentado ali há quase uma hora e nenhum outro convidado aparecera. Gervásio parecia inquieto; teria levado um bolo?
Gervásio despertou de seus pensamentos num sobressalto e acenou com impaciência.
— Não, pode sair.
— Eu não te chamei, não entre.
Gervásio já estava irritado, e a pergunta do garçom só piorou seu humor. Seus olhos estavam fixos no relógio de pulso, e de vez em quando ele olhava para a porta.
Ele pensava consigo mesmo:
Reinaldo sempre foi pontual. Atrasar tanto hoje, será que aconteceu algum imprevisto?
Gervásio era cliente frequente da casa, e a situação de hoje era anormal.
Afinal, Gervásio era o presidente do Grupo Costa. Normalmente, quando marcava encontros ali, ele e seus convidados eram pontuais. Não se sabia o que estava acontecendo com Gervásio hoje.
Seria raro ele levar um bolo de alguém?
Dentro da sala reservada, Gervásio finalmente não conseguiu mais ficar sentado.
Ele sacou o celular bruscamente, forçando-se a manter a calma.
Talvez Reinaldo tivesse tido um imprevisto de última hora; era melhor ligar e perguntar.
Na primeira vez que ligou para Reinaldo, Gervásio não achou nada estranho. Mas quando ouviu pela terceira vez a mensagem "o número discado não atende momentaneamente"...
Sua expressão mudou repentinamente, tornando-se muito feia.
— O que está acontecendo? Não pode ser...
Gervásio murmurou para si mesmo, com o coração acelerando e a sensação de insegurança tornando-se cada vez mais evidente.

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