Nesse momento, o celular de Gervásio tocou novamente, e a tela exibia o nome "Sr. Sousa".
Gervásio, como se visse um salvador, disse apressadamente ao policial:
— Tenho uma ligação urgente, deixe-me atender!
A ligação do Sr. Sousa chegou na hora certa.
O Sr. Sousa era amigo de Gervásio há muitos anos; os dois se conheciam há quase uma década. Através de "agrados" regulares e troca de benefícios, Gervásio havia construído uma rede de relacionamentos sólida com o Delegado-Geral.
No coração de Gervásio, o Delegado-Geral não era apenas seu apoio de longa data, mas seu amuleto mais forte.
Gervásio estava no comércio há anos e já havia sido denunciado algumas vezes, mas todas as questões foram abafadas com um único telefonema do Delegado-Geral.
Se o Delegado-Geral conseguiu resolver aqueles problemas no passado, certamente conseguiria agora. Gervásio depositava todas as suas esperanças nessa ligação. Ele acreditava que, desde que o Delegado-Geral interviesse, ele conseguiria transformar o perigo em segurança mais uma vez.
No entanto, o policial fez um sinal para que o colega recolhesse o celular dele.
— Sinto muito, Sr. Costa, o senhor é agora um suspeito de crime. Vamos recolher seu telefone temporariamente.
— Detalhes, por favor, vamos discutir na delegacia.
Quando dois jovens policiais avançaram para segurar Gervásio, ele lutou em pânico:
— Vocês não podem fazer isso!
— De qual unidade vocês são? Sabem quem eu sou?
— Quero ver o superior de vocês! Sr. Sousa! Preciso ligar para o Sr. Sousa!
Vendo a polícia levar seu celular, Gervásio entrou em completo desespero.
Na luta, o paletó de Gervásio foi puxado e ficou torto, e seu cabelo tornou-se uma bagunça.
— Sr. Sousa, já disse, sou um empresário legítimo. Vocês certamente cometeram um erro.
— Essas provas que vocês mencionaram, eu nunca toquei nisso antes. Com certeza alguém fez uma denúncia maliciosa. Antes que meu advogado chegue, acho que não tenho nada a dizer.
Gervásio tentou assumir o controle do interrogatório, adotando a postura habitual com que tratava seus subordinados.
O Sr. Sousa não se irritou e continuou com voz estável:
— Se ousamos trazê-lo aqui, é natural que tenhamos pistas relevantes. Sobre a transferência de ativos do Grupo Costa através de empresas de fachada no exterior, bem como a suspeita de fraude em empréstimos bancários, esperamos que o senhor confesse proativamente para buscar leniência.
Gervásio riu friamente em seu coração; era realmente por causa dessas coisas. Mas ele se considerava limpo; aquelas operações complexas e indiretas, nem mesmo seu diretor financeiro de longa data conhecia totalmente o núcleo. Como a polícia poderia ter provas substanciais? Não passava de uma tática para assustá-lo.
Ele exibiu uma expressão perfeitamente calibrada de confusão e injustiça:
— Sr. Sousa, de onde vem essa conversa? O Grupo Costa tem negócios enormes, alguns investimentos no exterior são legais e conformes. Quanto aos empréstimos bancários, tudo é documentado, cada centavo foi usado para a operação normal da empresa. Vocês não podem acreditar em uma versão unilateral e me caluniar assim.

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