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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1073

Ele subiu as escadas rapidamente e empurrou a porta do quarto de Amália.

O quarto estava excessivamente arrumado. O guarda-roupa estava quase vazio; os cosméticos caros e as joias haviam desaparecido da penteadeira, como se a dona tivesse partido às pressas e não pretendesse voltar.

O coração de Marcelo afundou. Ele discou imediatamente o número do celular de Amália, mas, como esperado, ouviu apenas a fria mensagem do sistema:

— O número discado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura.

Amália havia desaparecido.

Neste momento crítico, o sumiço dela era praticamente uma confissão de culpa. Gervásio mal havia sido preso e ela evaporou, mesmo carregando uma gravidez avançada.

Se não tivesse culpa no cartório, por que fugiria assim?

Marcelo parou na sala vazia da mansão da família Costa, e a sensação de mau agouro se intensificou.

O desaparecimento de Amália era estranho demais para ter sido algo improvisado. Afinal, com a família Oliveira falida, para onde uma mulher grávida e sem recursos próprios poderia ir? Alguém certamente estava ajudando-a nos bastidores.

Lembrando-se das coisas que Amália já havia feito, Marcelo sabia que ela não era tão inofensiva e ingênua quanto imaginavam. O problema de Gervásio certamente tinha o dedo dela.

Marcelo forçou-se a manter a calma e começou a revistar os outros cômodos com mais atenção.

Ele saiu do quarto de Amália e foi para o escritório de seu pai, Gervásio.

O escritório estava organizado, sem sinais de ter sido revirado. Marcelo tentou ligar o computador do pai. A tela acendeu, pedindo senha. Ele tentou algumas combinações possíveis.

O resultado foi negativo; a tela exibia erro repetidas vezes.

Marcelo teve que desistir e começou a verificar outros lugares.

A gaveta da escrivaninha de Gervásio estava destrancada, contendo apenas documentos comuns da empresa e revistas de economia. Embora os objetos estivessem dispostos como de costume, Marcelo sentia algo estranho no ar.

— Ela foi rápida, hein!

Ao ouvir a última questão de Marcelo, Camila também achou estranho.

— Naquela caixa seu pai costumava guardar apenas itens pessoais, pouca coisa de valor financeiro. Para que ela levaria aquilo?

Marcelo nunca tinha visto o conteúdo daquela caixa, mas o fato de ela ter fugido deixando para trás tantas outras coisas, mas levando justamente a caixa, indicava que o conteúdo não era trivial.

Ele insistiu com Camila:

— Mãe, tente se lembrar. Nos últimos meses, antes de eu me mudar, o papai agiu de forma muito estranha? Tipo, encontrou algum desconhecido? Ou recebeu ligações esquisitas?

Camila esforçou-se para recordar, com tom incerto:

— Desconhecidos... acho que não. Mas ligações, sim. Ele vivia atendendo o telefone escondido de mim, todo misterioso. Quando eu perguntava, dizia que eram negócios e mandava eu não me meter.

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