Ao ver o rosto instantaneamente pálido de Válter e suas pupilas dilatadas de repente, o Sr. Sousa bateu sem pressa nos documentos sobre a mesa.
— Sr. Siqueira, as provas de que o senhor ajudou o Sr. Reinaldo a transferir os ativos da empresa são irrefutáveis. Está tudo aqui, preto no branco. É melhor o senhor pensar bem em como vai explicar essa quantia "legal e compatível" às autoridades competentes.
Nos dias anteriores, quando houve a reunião matinal, Válter estava de folga, por isso não participou e não sabia que Reinaldo já havia sido preso.
Aquela notícia repentina foi como um raio em céu azul, destruindo completamente seu último fio de esperança.
Válter levantou-se abruptamente:
— Não... Impossível! O senhor está mentindo!
Ele continuou, balbuciando:
— Reinaldo... O Reinaldo é o tio legítimo do Sr. Barreto, o único filho vivo do Eduardo agora. Como ele poderia ter sido preso?
Ele olhou desesperado para o auditor:
— Sr. Sousa, o senhor deve estar me enganando, certo? Quem é? Quem está tentando me incriminar?
O funcionário do departamento de auditoria deu um passo à frente, sem expressão:
— Sr. Válter, por favor, acalme-se e colabore com a nossa investigação.
O Sr. Sousa também olhou friamente para Válter:
— Sr. Siqueira, não resista mais. Se quer culpar alguém, culpe a si mesmo por ter escolhido o lado errado no início.
Válter sabia que, uma vez que seus atos fossem comprovados, as consequências seriam inimagináveis.
No desespero, como se agarrasse à última tábua de salvação, ele empurrou violentamente a pessoa à sua frente e saiu cambaleando do escritório, correndo em direção à sala da presidência.
— Sr. Barreto! Sr. Barreto! Eu errei! Peço que tenha misericórdia!
Válter ignorou os bloqueios da secretária e invadiu o escritório de Jocelino, jogando-se sobre a mesa, com a voz embargada de choro e súplica.
— Sr. Barreto, eu errei! Eu sei que errei! Peço que considere os anos que servi à empresa e me dê uma chance! Aquelas coisas... Reinaldo me obrigou a fazer tudo aquilo! Eu não tive escolha!
Jocelino estava de pé junto à janela. Ao ouvir o barulho, virou-se lentamente. Seu olhar era frio como o gelo, observando-o sem qualquer emoção.
Válter sentiu um calafrio na espinha sob aquele olhar, mas o instinto de sobrevivência o fez continuar implorando:
— Vir me dizer essas palavras agora, não acha ridículo?
Válter ficou sem palavras, com o rosto cinzento.
Jocelino parou de olhar para ele e acenou para os auditores que haviam entrado:
— Podem levá-lo. Procedam sob suspeita de lei e as regras.
Com a última esperança destruída, Válter foi agarrado pelos braços por dois auditores, um de cada lado, e arrastado para fora.
O medo extremo transformou-se em um ressentimento histérico. Válter começou a se debater, virando a cabeça para gritar maldições contra Jocelino.
— Jocelino! Seu animal de sangue frio que não reconhece a própria família! Nem o seu próprio tio você perdoa!
Ele gritava enquanto era arrastado:
— Você acha que venceu só porque derrubou o Reinaldo? Espere! A família Barreto cedo ou tarde vai ser destruída nas suas mãos! Eu vou esperar para ver o dia da sua desgraça!
Os xingamentos venenosos ecoaram pelo corredor, afastando-se gradualmente. Jocelino voltou inexpressivo para trás de sua mesa, como se o que acabara de acontecer fosse apenas uma farsa irrelevante.

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