O som da fechadura estalou e Aeliana levantou a cabeça.
— Jocelino, você voltou?
Jocelino sorriu para ela, tirou o paletó e caminhou até o sofá, colocando suavemente um documento na mesa de centro à frente dela.
— Dê uma olhada nisso.
Aeliana baixou o livro e pegou o documento. Ao perceber que era um acordo de transferência de ações referente ao Grupo Oliveira, e que o cedente era Gervásio, um brilho de surpresa cruzou seus olhos.
Ela levantou o rosto, olhando para Jocelino, e perguntou confusa:
— As ações do Grupo Oliveira que estavam com o Gervásio?
— Como ele concordou em abrir mão disso?
— Ele tentou usar isso como moeda de troca para reduzir a pena.
Jocelino sentou-se ao lado dela, explicando de forma sucinta.
Aeliana ouviu e voltou a olhar para o documento, franzindo levemente a testa. Ela não disse nada de imediato; a ponta de seus dedos pairou sobre o nome "Grupo Oliveira" por um momento, antes de recolocar o acordo na mesa com calma.
— E então? O que significa você me mostrar isso?
Mesmo que Jocelino não dissesse, Aeliana sabia o que ele queria dizer.
Aeliana olhou para Jocelino e disse, pausadamente e com clareza:
— O Grupo Oliveira pertence à família Oliveira. Eu não preciso disso.
Jocelino não pareceu surpreso com a resposta. Ele estendeu a mão, segurou a de Aeliana e a olhou com serenidade.
Ela se afastou levemente do abraço de Jocelino, apertou a mão dele com força e o encarou. Seus olhos ainda estavam um pouco vermelhos, mas o olhar já havia recuperado a calma, agora com uma lucidez ainda maior.
— Eu entendi. Tudo bem, eu aceito.
— Só que...
Aeliana olhou para o pesado acordo de transferência de ações na mesa, massageou as têmporas com dor de cabeça e olhou para Jocelino:
— Jocelino, você sabe, eu não tenho o menor interesse em administrar uma empresa ou lidar com aquelas raposas velhas. Essas ações... parece que não vão ter muita utilidade na minha mão.
Aeliana não tinha interesse em negócios; queria apenas exercer a medicina em paz e viver uma vida tranquila.
Jocelino parecia ter previsto essa reação e não demonstrou surpresa. Ele pegou o acordo de volta, abriu na última página e apontou para o local da assinatura, com um tom tranquilo:
— Eu sei. Por isso contratei um gestor profissional para você.

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