Essas palavras entraram nos ouvidos de Felipe e seus pés pareceram ter sido pregados no chão.
Ele apertou com força a prancheta que segurava, os dedos ficando brancos pela tensão excessiva, a borda rígida da pasta quase cortando sua carne.
Aeliana?
Ela não estava morta?
Não apenas não estava morta, como vivia uma vida de glória e destaque?
Consultora externa da equipe de Victor, noiva de Jocelino, presidente do Grupo Oliveira...
Cada um desses títulos era como um ferro em brasa, queimando impiedosamente a autoestima de Felipe, chiando contra sua pele.
Uma onda ácida, misturando ciúme e uma indignação profunda, subiu-lhe à garganta.
Felipe pensou com ódio.
Por quê?!
Uma pessoa que nem sequer terminou a faculdade direito, que teve até passagem pela polícia, com que direito ela conseguia pisotear tão facilmente tudo o que ele construiu com tanto esforço e sonhou a vida inteira?
Ele estudou arduamente, trabalhou com dedicação, pisou em ovos dentro do hospital, mas parecia condenado a ser apenas o insignificante "parente da Dra. Oliveira"!
Com o rosto sombrio, Felipe empurrou a porta do escritório e atirou a prancheta sobre a mesa com violência. O estrondo fez com que as conversas lá fora cessassem instantaneamente.
As enfermeiras no corredor se entreolharam e calaram a boca.
A enfermeira de cabelo curto revirou os olhos em direção à sala de Felipe, com desdém, e murmurou:
— Ele ainda tem a coragem de dar chilique.
— Vocês chegaram há pouco tempo, não sabem da história toda.
— Meu Deus... não admira que ela fosse tão fria. Se fosse comigo, eu também não reconheceria essa gente como família...
— Shhh! Falem baixo! Por isso que eu digo, ela deu a volta por cima. O reconhecimento do Sr. Gomes, o noivado com o Sr. Barreto, retomar a empresa da família... Para mim, isso tudo é carma que a própria família Oliveira plantou. Bem feito!
Os comentários do lado de fora eram sussurrados, mas agudos como agulhas, penetrando pelas frestas do escritório e invadindo os ouvidos de Felipe.
Cada palavra era como um tapa em seu rosto.
Felipe ergueu a mão e desferiu um soco brutal na mesa de madeira maciça, sentindo uma dor aguda nos ossos dos dedos.
Nesse exato momento, o celular em seu bolso tocou de forma inoportuna. O nome "Mãe" piscando na tela só aumentou sua irritação.
Felipe respirou fundo, tentando controlar o turbilhão de emoções, e atendeu.
Antes mesmo que pudesse dizer "alô", a voz estridente e chorosa de Daniela o atingiu em cheio.

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