Ao entardecer, o céu começou a escurecer.
Felipe terminou a cirurgia e voltou para o prédio de seu apartamento. O trabalho contínuo de alta intensidade o deixara mentalmente atordoado, e havia olheiras profundas sob seus olhos.
Ele parou habitualmente na entrada do prédio, erguendo a cabeça para olhar a janela de sua casa no térreo.
A janela estava fechada, e as cortinas, puxadas firmemente, como de costume.
Mas, por algum motivo, uma inquietude inexplicável passou pelo seu coração.
Talvez fosse apenas cansaço excessivo. Felipe balançou a cabeça, tentando afastar aquela sensação estranha, pegou a chave e a inseriu na fechadura.
— Clique.
A porta se abriu.
Um ar abafado soprou em seu rosto.
O apartamento estava em silêncio absoluto, um silêncio que causava pânico.
Felipe jogou as chaves no móvel da entrada, produzindo um som metálico que ecoou de forma estridente naquela quietude.
Enquanto massageava as têmporas doloridas, caminhou habitualmente em direção ao porão, murmurando:
— Henrique, como está se sentindo hoje? Eu trouxe novos...
As palavras de Felipe pararam abruptamente, e seu olhar tornou-se instantaneamente sombrio.
Porque Felipe descobriu que a porta do porão... estava entreaberta!
Seu coração afundou violentamente, e o pouco de cansaço que restava foi substituído por pânico.
Felipe avançou num salto e empurrou a porta com força!
O quarto estava vazio!
Naquela cama de ferro simples, o cobertor estava amontoado de qualquer jeito num canto. A pessoa que deveria estar deitada ali...
Desapareceu!
Apenas alguns frascos de remédio vazios e seringas usadas espalhadas pelo chão indicavam que alguém estivera ali.
As pupilas de Felipe contraíram-se bruscamente, e sua respiração ficou pesada num instante. Ele correu para dentro do quarto como um louco, varrendo cada canto com o olhar: embaixo da cama, atrás das pilhas de entulho...
Não havia ninguém!
Nada! Não estava em lugar nenhum!
Henrique havia sumido!
— Como pode... Impossível...
— Eu dei tanto remédio para ele... com o corpo naquele estado, é impossível ele ter escapado...
— Impossível...
Felipe murmurava para si mesmo, o olhar começando a ficar maníaco e a lógica, confusa. Ele correu de volta para o depósito e encarou fixamente a cama vazia, como se quisesse trazer o irmão de volta apenas com o olhar.
De repente, como se tivesse pensado em algo, jogou-se ao lado da cama, agarrando os frascos vazios e lendo os rótulos um por um, verificando freneticamente as seringas no chão.
— O remédio... sim, meu remédio estava certo... era para curá-lo... Por que ele não obedeceu? Por que fugiu?
Sua voz ficava cada vez mais baixa e rápida, como se questionasse alguém, ou tentasse convencer a si mesmo.
O cansaço acumulado por longo tempo, a tensão mental extrema e o desejo quase paranoico pelo "sucesso do tratamento"...
Todas essas emoções, como uma enchente rompendo a barragem, destruíram instantaneamente a defesa psicológica de Felipe, que já estava por um fio.

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