Enquanto falava, Beatriz olhou para Aeliana e Aline com um olhar sincero.
— Aeliana, Aline, obrigada por terem vindo hoje.
— Obrigada pela ajuda que deram à nossa família durante todo esse tempo.
Desde o incidente com Marcelo até a falência da família Costa, sempre que ela pedia, Aline e Aeliana ajudavam no que podiam, sem nunca recusar.
Beatriz guardava tudo isso no coração.
Aeliana balançou a cabeça.
— Não foi nada. Somos amigas, e quando uma amiga está em dificuldades, devemos estender a mão.
Aline fez um gesto amplo com a mão, não gostando que a situação ficasse tão sentimental.
— Ah, para que falar essas coisas! Nós somos amigas que passaram por perrengues juntas!
— Você só vai para Nova Aurora, é tão perto. Basta pegar o trem no fim de semana e você está de volta. Para que tanto drama?
— Depois que você for, só não se esqueça da gente. Você tem que voltar sempre!
— Não, espera. Quando eu tiver folga, vou para a cidade vizinha te visitar! Você vai ter que ser minha guia turística!
Com Aline ali, a atmosfera que estava um pouco emotiva logo se animou novamente.
Todos comeram e conversaram. Os assuntos variaram desde os costumes da cidade vizinha até as coisas engraçadas do trabalho de Aline e o novo projeto de pesquisa de Aeliana.
Quando o jantar estava chegando ao fim, Beatriz pousou os talheres e sua expressão ficou séria.
Ela olhou para Aeliana e disse solenemente:
— Aeliana, tem mais uma coisa pela qual eu e meu irmão gostaríamos de agradecer pessoalmente.
Gratidão pela tolerância de Aeliana, mas acima de tudo, vergonha e arrependimento pelo seu passado. Ele a havia entendido mal e até ajudado outros a intimidá-la. Agora, precisava contar com a "misericórdia" dela para proteger sua família. Esse forte contraste o deixava sem chão, sem mencionar aquela paixão secreta no fundo de seu coração, que já era inoportuna e que ele jamais ousaria declarar.
Aeliana olhou para o olhar sincero de Beatriz e depois de relance para Marcelo, que estava visivelmente desconfortável. Ela balançou a cabeça calmamente:
— Beatriz, você não precisa me agradecer. Eu não fiz isso para receber agradecimentos, apenas achei que não havia necessidade de ser implacável. Deixe o passado no passado. É bom que vocês possam recomeçar.
O tom de Aeliana era muito plano, como se estivesse apenas constatando um fato simples.
Isso, no entanto, fez Marcelo se sentir ainda pior, reconhecendo mais claramente o abismo intransponível entre eles.
Beatriz assentiu com força:
— Sim! Nós vamos recomeçar bem! Aeliana, obrigada!
Na despedida após o jantar, Aline abraçou Beatriz e não queria soltar, insistindo várias vezes para manterem contato. Aeliana disse apenas um simples "Cuide-se, que tudo corra bem" para Marcelo, e ele assentiu solenemente.

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