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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1119

Felipe perguntou apressadamente:

— É verdade, diretor?

Raimundo assentiu.

— Sim. Porém...

Raimundo mudou o tom, olhando fixamente para Felipe.

— Que não se repita. Embora a situação da sua família seja extremamente difícil agora, você é médico. Nas mãos de um médico estão vidas humanas. Você precisa ajustar seu estado mental! Não há margem para descuidos!

— Eu sei, diretor. Entendo tudo o que o senhor disse. Vou me ajustar!

Felipe assentiu repetidamente.

Raimundo refletiu por um momento e disse:

— Farei o seguinte: vou lhe dar três dias de folga. Aproveite para resolver os assuntos de casa. Quando voltar, comece com cirurgias simples e recupere o ritmo aos poucos.

— Diretor, isso é incômodo demais para o senhor...

— Não diga mais nada. — Raimundo acenou com a mão. — Vá lavar o rosto. Hoje você apenas acompanhará a visita aos leitos. Lembre-se: um problema numa consulta não é o fim do mundo, mas assim que você entrar na sala de cirurgia, deve deixar todas as distrações de lado!

— Se uma situação dessas acontecer uma segunda vez, não será apenas isso.

— Nessa altura, nem eu poderei salvá-lo.

— Eu sei! Obrigado, diretor!

Felipe fez outra reverência antes de sair do escritório.

No momento em que a porta se fechou, a expressão de dor profunda no rosto de Felipe desapareceu instantaneamente, restando apenas um traço de frieza no fundo de seus olhos.

Ele soltou o ar levemente, ajeitou o colarinho do jaleco, endireitou a coluna e recuperou a postura profissional e calma do Dr. Oliveira.

Sempre que isso acontecia, Felipe pedia desculpas imediatamente, dizendo que "não tinha descansado bem". Os colegas, sabendo da situação especial de sua família, embora tivessem ressalvas, acabavam compreendendo.

No entanto, o perigo já estava plantado.

Naquela tarde, durante uma cirurgia de ponte de safena relativamente rotineira, Felipe atuava como primeiro assistente.

A cirurgia chegou a um passo crucial, exigindo que ele cooperasse com precisão com o cirurgião principal na anastomose vascular. Mas, naquele momento, ao olhar para o coração do paciente batendo vividamente, a imagem de Henrique moribundo na cama do hospital passou diante de seus olhos. Sua mão tremeu violentamente, e o porta-agulhas quase escapou!

— Felipe!

O Dr. Rodrigues, o cirurgião principal, gritou severamente. A voz carregava espanto e raiva, mesmo através da máscara. Por poucos milímetros, a ponta afiada da agulha poderia ter rasgado um vaso sanguíneo vital!

Felipe voltou a si bruscamente. O suor frio instantaneamente encharcou as costas do seu pijama cirúrgico. Ele pediu desculpas repetidamente:

— Desculpe! Dr. Rodrigues! Eu me distraí!

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