Ao ver as expressões de Daniela e Gustavo, Rodrigo nada disse. Apenas se virou silenciosamente, caminhou de volta para o seu quarto e fechou a porta com suavidade.
O movimento de Rodrigo ao fechar a porta foi leve, mas no silêncio mortal da sala de estar, o som do "clique" da lingueta da fechadura soou claro e estridente.
Sentado na cadeira de rodas, Gustavo ergueu a cabeça bruscamente. Aquele som sutil explodiu como um trovão, despertando Daniela.
Ela se levantou num ímpeto, caminhou rapidamente até a porta e bateu com força na madeira.
— Rodrigo, abra a porta.
Dentro do quarto, reinava um silêncio absoluto; não houve qualquer resposta.
Esse silêncio parecia mais um confronto mudo, o que acendeu de vez a ira e o pânico de Daniela.
— Ótimo, ótimo! Você não vai abrir, não é?
— Se você não abrir, eu tenho meus meios de fazer você abrir!
Enquanto falava, Daniela ergueu o pé e chutou a porta do quarto!
A fina porta interna estremeceu com os chutes, fazendo o batente vibrar com o impacto.
— O que você está fazendo?!
— Mãe, você ficou louca?
Finalmente, de dentro do quarto, veio o rugido baixo de Rodrigo, reprimindo sua fúria.
— Eu fiquei louca? Sim! Eu estou louca!
— O mundo desabou sobre a nossa família e você quer se trancar aí dentro e se esconder do mundo? Quer matar a mim e ao seu pai de angústia? Rodrigo, eu vou contar até três. Se você não abrir, eu vou derrubar essa porta hoje mesmo! Um! Dois!
— Chega!
A porta foi aberta bruscamente por dentro.
Rodrigo estava parado na entrada, com o rosto inexpressivo.
— Eu não tenho nada para dizer. Estou cansado, realmente cansado. Só quero sair para ficar um pouco sozinho.
— Sozinho?
— A casa está de pernas para o ar e você quer ficar sozinho?
Em vez de soltá-lo, Daniela agarrou o braço do filho com as duas mãos, como se ele fosse sua única tábua de salvação, ou talvez o culpado de tudo.
— Rodrigo! Chegamos a esse ponto e você ainda se recusa a nos contar a verdade?
— Você quer ver nossa família se destruir completamente para ficar satisfeito? Ou será que deseja que seus dois irmãos se deem mal para sobrar só você?
As perguntas de Daniela eram como facas, rasgando Rodrigo por dentro.
Rodrigo abriu os olhos lentamente e encarou Daniela. Não havia mais a arrogância de outrora no olhar dela, apenas pânico total e colapso.
Ele se virou para o pai na cadeira de rodas. Gustavo tremia o corpo todo. Em seus olhos, além da raiva, restava uma frágil e lamentável esperança de ouvir uma resposta negativa da boca de seu filho mais velho.

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