Ao ouvir isso, Victor acenou imediatamente com a mão, num tom gentil e compreensivo:
— Vá, vá. A saúde da sua família é prioridade. Os dados experimentais daqui levarão alguns dias para sair, um dia não fará diferença. Pode ir cuidar dos seus assuntos, eu fico de olho aqui.
Victor de repente lembrou-se de algo e acrescentou:
— Mande lembranças minhas ao Sr. Wallace.
— Obrigada, Sr. Gomes. Vou transmitir o recado.
Aeliana concordou com um sorriso, sentindo-se aliviada.
— Ah, a propósito. — Victor pareceu se recordar de algo, tirou um envelope de papel pardo da gaveta e entregou a Aeliana. — Lembro-me de você ter mencionado casualmente que o veneno no corpo daquele seu parente estava relacionado à reparação neural. Estes são materiais internos recentes sobre reparação neural que o instituto enviou na reunião de alguns dias atrás. Alguns dados são bastante avançados. Leve para casa e dê uma olhada quando tiver tempo, talvez traga alguma inspiração para o plano de reabilitação do seu senhor.
Aeliana pegou o envelope, sentindo o coração aquecido.
Victor guardara no coração até mesmo uma frase dita ao acaso por ela; ele realmente a tratava muito bem.
— Obrigada, Sr. Gomes. Vou ler com muita atenção.
Aeliana guardou o envelope com cuidado, agradeceu novamente e levantou-se para sair do escritório.
Quando Aeliana saiu do escritório de Victor, o corredor estava silencioso.
Ela pegou o celular e discou o número de Wallace Rodrigues.
O telefone tocou duas vezes e foi atendido. A voz de Wallace veio do outro lado, risonha e parecendo muito mais vigorosa.
— Aeliana, já terminou o trabalho?
— Sim, Sr. Wallace.
Ao ouvir o tom descontraído dele, os cantos da boca de Aeliana se curvaram involuntariamente.
— Acabei de terminar aqui e estou me preparando para voltar. Como o senhor está se sentindo hoje?
Ter alguém esperando em casa, ver a pessoa querida melhorando; talvez esse fosse o calor mais seguro em meio à correria da vida. Ela ajustou o retrovisor, entrou no fluxo do horário de pico e dirigiu para casa.
Aeliana abriu a porta de casa e foi recebida por um aroma familiar e acolhedor de ervas medicinais.
Na sala, Wallace estava sentado em sua cadeira de rodas perto da janela, virado para a porta, parecendo ter estado atento a qualquer movimento. Décio permanecia imóvel atrás dele, como uma torre de ferro silenciosa.
— É a Aeliana que chegou?
Wallace apurou os ouvidos para escutar os passos, e um sorriso surgiu em seu rosto.
— Sr. Wallace, voltei.
Aeliana largou a bolsa, trocou os sapatos por chinelos e caminhou rapidamente até ele. Com naturalidade, agachou-se e colocou a mão levemente sobre o pulso de Wallace, que repousava sobre o joelho.
— O trânsito estava um pouco engarrafado. Como o senhor está se sentindo exatamente hoje? Sentiu algum desconforto?

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