— Aeliana.
A voz de Jocelino soou tensa:
— Você sabe o que está dizendo?
— Eu sei. — Aeliana ergueu o rosto, seus olhos úmidos fixos nos lábios dele tão próximos. — Eu sempre soube.
O leve aroma de vinho no corpo de Aeliana, misturado à sua doçura característica, pairava no ar. Ela olhava para os lábios dele, o olhar perdido carregando uma coragem desesperada.
De repente, ela ergueu a cabeça e seus lábios macios e inebriados tocaram os dele de forma inexperiente, mas precisa.
O beijo foi leve e breve, mas como uma corrente elétrica, atravessou todo o autocontrole de Jocelino. Seu corpo enrijeceu, sentindo claramente a maciez e o leve tremor dos lábios dela.
O toque se desfez rapidamente.
Aeliana ofegava levemente, com as bochechas coradas. Seus olhos, no entanto, encaravam-no com uma clareza incomum, e ela disse pausadamente, com seriedade:
— Jocelino... eu sei que é você.
— E também sei o que isso significa.
— Não estou bêbada, sei o que estou fazendo.
Aquela frase foi como um trovão, estilhaçando toda a contenção de Jocelino.
Ele baixou o olhar, mergulhando nos olhos de Aeliana, que, apesar de marejados, brilhavam com aquela coragem definitiva. Ali havia embriaguez, havia dependência, mas, acima de tudo, havia a confiança de quem estava disposta a entregar tudo a ele.
— Última chance, Aeliana. — A voz de Jocelino estava terrivelmente rouca. — Se você me empurrar agora, ainda há tempo.
Aeliana não respondeu. Apenas estendeu os braços ao redor do pescoço dele, dando a resposta com sua atitude.
— Eu te ensino. — O beijo de Jocelino desceu novamente, desta vez muito mais gentil, com um tom de orientação, envolvendo levemente os lábios dela e ensinando pacientemente o ritmo da respiração.
Aeliana correspondia de forma inexperiente, passando da passividade inicial para uma imersão gradual, seus braços agarrados sem força aos ombros dele, deixando escapar gemidos abafados e constrangedores.
Depois de um longo tempo, Jocelino a soltou, ofegante. Testa com testa, respirações entrelaçadas, o ar denso de uma paixão impossível de dissolver.
Jocelino olhou para os lábios inchados e o olhar perdido de Aeliana. Seu pomo de adão moveu-se e sua voz soou irreconhecível de tão rouca:
— Tem certeza... de que não vai se arrepender?
Aeliana não respondeu com palavras, mas com ações. Ela voltou a beijar o canto da boca dele por iniciativa própria e, seguindo a linha do maxilar, desceu beijando até o pomo de adão, desabotoando o primeiro botão da camisa dele com movimentos desajeitados, mas firmes.
— Aeliana. — Jocelino segurou a mão trêmula dela. — Devagar.
— Eu... eu quero ver você. — A voz de Aeliana era fina como um zumbido, mas carregada de uma determinação inquestionável.

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