Santiago ficou levemente atônito. Não sabia dizer se deveria ficar comovido ou triste.
Ele olhou profundamente para ela, seu olhar passando por Jocelino, que exalava proteção ao lado dela, e acabou soltando um suspiro quase inaudível.
Santiago ergueu a taça em direção a Aeliana.
— Obrigado.
— E desejo a vocês... felicidades. Tenho convidados para atender, com licença.
Dito isso, ele assentiu educadamente e se virou para caminhar em direção a outro grupo de empresários.
Jocelino observou as costas de Santiago se afastando e apertou ainda mais o braço em volta de Aeliana, baixando a cabeça para resmungar em seu ouvido, num tom que só os dois poderiam ouvir.
— Amigo de infância? Conversa animada, hein?
Aeliana riu, erguendo a cabeça para lançar-lhe um olhar de reprovação:
— Jocelino, você não acha que está sendo infantil?
— Infantil?
Jocelino ergueu uma sobrancelha, cheio de razão.
— Isso é legítima defesa.
Ele pegou o prato da mão dela, num tom que não aceitava recusa:
— Vamos.. Vou te apresentar a algumas pessoas realmente interessantes.
Aeliana olhou para aquele autoritarismo dele, que raramente se revelava e carregava um quê de meninice, e sentiu o coração amolecer. Deixou-se conduzir por ele em direção ao centro do salão.
Mas antes de sair, não resistiu e olhou para trás, vislumbrando mais uma vez a figura de Santiago, sozinho junto à janela.
As socialites mudavam de cor instantaneamente e calavam a boca, envergonhadas. Quando olhavam novamente para Aeliana, seus olhares continham apenas cautela e temor.
Nesse momento, uma voz surpresa, ligeiramente envelhecida, mas cheia de vigor, ecoou no salão.
— Ora, ora! Não é a Aeliana?
Aeliana virou-se ao ouvir a voz e viu Paula, vestida em um vestido roxo-escuro bordado, caminhando em sua direção com um sorriso radiante, apoiada por Matheus Sousa. A senhora estava com o rosto corado e o olhar límpido, muito diferente da aparência acamada de outrora.
— Dona Paula, Sr. Sousa. — O rosto de Aeliana iluminou-se com um sorriso genuíno. Ela soltou o braço de Jocelino e deu dois passos à frente para recebê-los, segurando gentilmente o outro braço de Paula. — A senhora está com uma aparência ótima hoje.
— Ótima, ótima! Graças a você! — Paula deu tapinhas carinhosos na mão de Aeliana, com os olhos cheios de gratidão e afeto. — Se não fosse pelas suas mãos milagrosas, menina, onde é que essa velha estaria de pé aqui nesta festa!
Ao lado da Paula, Matheus olhou para Aeliana com uma atitude respeitosa, mas familiar:
— Sra. Oliveira, há quanto tempo. Minha mãe não para de falar da senhora, dizendo que quer convidá-la para ir lá em casa novamente para uma refeição simples.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias