Aeliana chegou um pouco antes do horário combinado e escolheu um canto tranquilo para se sentar. Pediu um copo de leite quente e, observando a multidão que passava lá fora, soltou um suspiro suave.
Aconteceram coisas demais ultimamente.
Desde a fuga quase mortal na fronteira, passando pela revelação da conspiração da família CostaReinaldo, até enfrentar a morte de Henrique e investigar a verdade sobre o assassinato de Flávia... cada evento consumiu sua energia e espírito.
Naquele momento, sentada naquele canto cheio de vida, temporariamente longe das perturbações, ela sentiu uma rara e genuína sensação de relaxamento.
Pouco depois, Aline chegou como um furacão, seguida por Beatriz. Beatriz parecia muito melhor do que antes, com um sorriso sereno no rosto.
Aline continuava a mesma pessoa vivaz e direta de sempre. Assim que se sentou, começou a reclamar de sua "trágica" sina de ser forçada pela família a ir em encontros arranjados.
— Ah! Que irritante, que irritante!
Aline cutucava o tiramisu à sua frente com o garfo, o rosto contraído em uma careta, desabafando com as amigas:
— Vocês acham que minha mãe está na menopausa? Este mês ela já me arranjou três encontros! Um era um cara que voltou do exterior e só falava da empresa do pai; outro era um programador que nunca tinha visto um filme na vida; e o da semana passada foi o mais absurdo, perguntou se eu podia largar o trabalho logo depois de casar pra ter filho!
— Eu só tenho vinte e quatro anos! Será que aos olhos deles eu já estou encalhada?
Ela deitou-se exageradamente sobre a mesa, lamentando:
— Aeliana, Beatriz, sorte a de vocês! Uma tem sucesso no amor e na carreira, a outra vive livre e solta! Socorro, como faço para minha mãe me dar uma folga?
Aeliana, vendo o jeito cômico de Aline, não conseguiu conter o riso e lhe passou um novo pedaço de bolo:
— Calma, a senhora sua mãe só quer o seu bem. Mas vai com calma; escolha devagar, uma hora você encontra a pessoa certa.
Ela pousou a xícara, baixando o tom de voz.
— A Amália... e a criança na barriga dela. Afinal, é sangue da família Costa. Embora meu pai tenha sido preso, essa criança... sinto que é uma bomba-relógio. Ela está escondida em algum lugar agora, mas tenho medo de que um dia reapareça com a criança e traga turbulência para a vida pacífica que minha mãe e meu irmão acabaram de reconquistar.
Ao ouvir isso, Aline também abandonou o tom de brincadeira, inclinou-se e sussurrou:
— É verdade! Aeliana, Beatriz, vocês acham que uma pessoa como a Amália vai ter o filho quietinha e deixar por isso mesmo? Tenho a sensação de que ela está tramando algo ruim!
Aeliana ouvia em silêncio, mexendo suavemente o café na xícara com a colher. Ao ouvir o nome de Amália, seu olhar esfriou.
Pensou no fato de que a relação entre o homem misterioso e Amália ainda não fora descoberta. Os dois deviam estar escondidos em algum canto da Vila das Nuvens Cinzentas, planejando como prejudicar mais pessoas.

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