O ar estava impregnado com o aroma do chá e os resquícios do cheiro da comida, misturados a uma atmosfera romântica, doce e calorosa, que se espalhava de forma silenciosa.
O olhar de Jocelino pousou nos lábios avermelhados de Aeliana, tornando-se mais intenso. Ele se inclinou para perto, com uma voz tão baixa que apenas os dois podiam ouvir.
— Apenas "lindo"?
O coração de Aeliana batia como um tambor. Seus longos cílios tremeram, mas ela não desviou; em vez disso, fechou os olhos de forma suave.
O beijo dele, carregando um hálito fresco e uma ternura inquestionável, chegou conforme o esperado.
Quando os lábios se separaram, a respiração de ambos estava um pouco ofegante.
Com o rosto em brasa, Aeliana encostou a testa no ombro de Jocelino para tentar acalmar as batidas aceleradas de seu coração.
A mão de Jocelino ainda acariciava suavemente as costas dela, e a ponta de seus dedos esfregava inconscientemente o gelado anel de diamante no dedo anelar de Aeliana.
Para entregar aquele presente a Jocelino, Aeliana havia feito questão de tirar o anel que sempre carregava em um colar no pescoço e colocá-lo no dedo.
A sala estava tão silenciosa que podiam ouvir as respirações entrelaçadas um do outro e o som nítido do balançar das folhas de bambu lá fora.
Aquele beijo afetuoso e profundo que acabaram de compartilhar foi como uma corrente de águas mornas, lavando o último traço de nervosismo e incerteza, deixando apenas uma doçura reconfortante em seus corações.
Aeliana afastou-se ligeiramente do abraço dele e ergueu os olhos para encará-lo.
Os lábios de Jocelino estavam com uma coloração mais forte do que o habitual. Seus olhos, geralmente frios, agora emanavam um calor remanescente. Ele a observava com concentração, e havia um peso naquele olhar transbordando de um afeto inegável.
— Vamos para casa? — Jocelino perguntou mais uma vez, em voz baixa. Sua voz carregava a leve rouquidão de quem acabara de se entregar a um beijo apaixonado, soando incrivelmente sedutora naquele espaço silencioso.
— Hum? — Jocelino mantinha o olhar fixo na estrada, mas virou a cabeça levemente ao ouvir isso.
— Quando estávamos no ateliê, ela me viu aprendendo a polir e disse que faria um para presentear a senhora. — Aeliana lembrou-se da expressão agitada e, ao mesmo tempo, dedicada de Aline, não conseguindo conter o riso. — Ela se empenhou bastante na produção, mas o resultado final... digamos que ficou com um estilo mais "arte abstrata".
— O fato de ela ter conseguido ficar sentada a tarde inteira fazendo isso já é um milagre. Minha tia com certeza vai adorar receber o presente. — Jocelino imaginou a própria prima tentando fazer artesanato com suas mãos desajeitadas, e seus olhos também se encheram de alegria.
— Sim. — Aeliana concordou com a cabeça, exibindo um olhar gentil. — As coisas feitas à mão parecem realmente diferentes. Mesmo que não fiquem perfeitas, a intenção por trás delas é muito sincera.
Jocelino apertou a mão dela com mais força, e a ponta de seu polegar esfregou de leve a parte interna do aro de platina. Ali estavam as marcas sutis e únicas que o polimento feito por ela havia deixado.
— Sim, são diferentes. — Ele concordou em voz baixa.
Aeliana conseguiu ouvir o apreço em suas palavras. Seu coração pareceu ser tocado suavemente por uma pena, provocando um formigamento bom em seu interior.

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