O homem misterioso estava claramente insatisfeito com Marcelo Costa. Ao mencionar o seu nome, o seu tom de voz esfriou por um breve instante.
No entanto, ele não demonstrou isso diante de Amália, apenas apertou firmemente a mão dela.
— Amália, eu sei o que você deseja. Antes, eu não podia lhe dar, mas agora, eu voltei. No passado, eu não tinha poder. Deixei que você sofresse humilhações na família Oliveira e acabasse sendo expulsa por eles. Mas agora é diferente.
O homem misterioso olhou profundamente para Amália.
O rosto dela estava um pouco mais cheinho devido à gravidez, mas ainda era possível notar os traços incrivelmente semelhantes aos dele.
O olhar do homem deslizou sobre o ventre proeminente da jovem.
— O papai voltou, e não deixarei que ninguém a maltrate novamente. Tampouco permitirei que o que você deseja caia nas mãos de outros. Tudo o que lhe pertence, eu recuperarei para você. O que a família Oliveira lhe deve, o que a família Barreto lhe deve... e aquela Aeliana, que roubou o seu lugar de direito e o homem que você ama... todos eles pagarão caro.
Amália sentiu o calor transmitido pela mão dele e olhou para o pai, com um turbilhão de emoções no peito.
Para ser franca, quando descobriu a verdade, foi inevitável sentir um misto de ressentimento pelas mentiras do passado e mágoa pelas reviravoltas de sua origem ao encarar o homem à sua frente.
Ela se ressentia: por que ele a havia abandonado?
Por que a deixou crescer em uma família estranha? Embora os membros da família Oliveira sempre a tivessem tratado como uma filha de sangue, desde que soube não ser uma verdadeira herdeira da família Oliveira, ela viveu em constante terror, temendo perder os privilégios e acabar nas ruas.
Contudo, Amália também compreendia que, se o homem misterioso não tivesse trocado a identidade dela com a de Aeliana, sua vida ao lado dele talvez tivesse sido repleta de miséria.
Afinal, ele não parecia ser exatamente um homem de negócios lícitos.
— Pai... — Vendo que ele estava de bom humor, Amália hesitou um pouco. Seus dedos brincavam nervosamente com a barra do cobertor, e sua voz soou ainda mais baixa, em tom de sondagem. — Como estão as coisas com a família Costa? E quanto ao Marcelo...
O movimento do homem ao ajeitar as cobertas para Amália paralisou. Aquela efêmera ternura foi imediatamente encoberta por uma camada gélida de repulsa.
Ele se endireitou e caminhou até a janela. De costas para Amália, sua voz transparecia uma irritação e um desprezo difíceis de ocultar.
— A família Costa? — Ele zombou. — Aqueles não passam de vermes insignificantes.
Só de lembrar que Gervásio o havia delatado no país, o homem sentia o sangue ferver de ódio.
— Não servem para ajudar, só para atrapalhar. — Ele se virou, encarando a filha com um tom categórico e inquestionável.

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