Fosse quem fosse, se alguém ousasse estender as garras para o território de Caio, ele faria questão de cortar.
O evento no "Cassino Serra Nobre" daquele fim de semana talvez fosse a oportunidade perfeita para atrair os ratos escondidos nas sombras para a luz.
No hotel, após ler a breve mensagem secreta enviada pelo seu informante, Jocelino jogou o celular sobre a mesa de centro, produzindo um baque suave.
Jocelino recostou-se no sofá e soltou um longo suspiro. Seu rosto não demonstrava surpresa; pelo contrário, exibia a tranquilidade de quem já esperava por aquilo.
Ele já havia previsto esse desfecho.
As águas da Vila das Nuvens Cinzentas eram extremamente turvas. Para que as pessoas por trás de Caio conseguissem gerenciar o "Cassino Safira Azul" daquela maneira, eles certamente haviam corrompido inúmeros contatos, tanto às claras quanto às escuras.
Esperar que uma simples denúncia anônima fosse suficiente para derrubar todo o esquema era ingenuidade demais.
Sentada ao lado dele, Aeliana observou a sua reação e compreendeu a situação com clareza cristalina.
Embora fosse cego, a audição de Wallace era aguçada. Ele havia captado o som sutil do celular caindo e o suspiro quase inaudível de Jocelino.
Ele virou o rosto na direção de Jocelino, com o semblante inalterado.
— As provas foram abafadas pelo outro lado?
Wallace perguntou, com um tom tão indiferente como se estivesse perguntando sobre o clima.
— Sim. — Jocelino respondeu, com a voz ligeiramente pesada. — Era o esperado. Desde o momento em que decidimos enviar a denúncia, nós já não contávamos com esse resultado?
— A polícia daqui não é confiável, teremos que buscar outra alternativa. — Interveio Aeliana, com uma voz clara e serena.
Os fins justificavam os meios. Já que a via da denúncia oficial havia sido bloqueada, eles teriam que resolver por conta própria. Durante o evento no "Cassino Serra Nobre" naquele fim de semana, precisariam encontrar uma maneira de obter evidências mais diretas e contundentes, ou, pelo menos, criar uma oportunidade para isso.
Wallace esboçou um sorriso desprovido de calor:
— Sim, mestre. — Décio concordou com a voz grave, sem a menor hesitação.
— Além disso, há o Caio. — Complementou Jocelino. — Se hoje ele foi capaz de oferecer pulseiras de jade raras como um pedido de "desculpas", com certeza estará ainda mais focado no evento deste fim de semana.
— Observem com quem ele interage, prestem atenção especial se há alguém com um status particular ou extremamente discreto, mas que receba um tratamento atipicamente respeitoso de Caio. — Instruiu Jocelino.
Talvez essa fosse a chance perfeita para desmascarar a figura misteriosa.
— Entendido. — Décio tomou nota mentalmente.
— Há mais uma coisa.
Aeliana ponderou por um instante antes de dizer:
— Durante a minha "consulta" nesta tarde, eu ouvi alguns boatos.

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