O Sr. Lopes levantou-se com um sorriso:
— O Sr. Porto pode ficar à vontade por enquanto. Vou ali cumprimentar os outros convidados. A partida começa em meia hora; aproveite para se familiarizar com o ambiente.
Observando o Sr. Lopes se afastar em direção aos outros, o sorriso um tanto exagerado no rosto de Narciso foi desaparecendo lentamente.
Ele se recostou no sofá, com o olhar calmo varrendo aquele deslumbrante, porém traiçoeiro, Cassino Serra Nobre.
Fabíola, Sr. Lopes, Sr. Correia e aqueles convidados de identidade oculta sob a fachada de elegância... a partida daquela noite estava fadada a ser tudo, menos tranquila.
Depois que Narciso se acomodou na área de descanso, o sorriso sedutor de Fabíola perdeu um pouco do brilho.
Após direcionar a atenção dele para as mesas de jogo, ela não retornou imediatamente à roda social do salão. Em vez disso, segurando sua taça, caminhou até a varanda um pouco mais isolada na lateral do salão de banquetes.
O Sr. Lopes parecia já ter uma sintonia com ela; ao vê-la se afastar, seguiu-a silenciosamente.
Da varanda, via-se a paisagem noturna da Vila das Nuvens Cinzentas. A brisa fria da noite ajudava a dissipar o cheiro enjoativo de perfume doce e charutos que dominava o salão.
— O que foi aquilo na entrada agora há pouco?
O Sr. Lopes perguntou em voz baixa, seu rosto já sem aquele sorriso bajulador que usava com os clientes.
— Só por causa de uma revista de segurança, como aquele tal de Porto conseguiu fazer um escândalo daqueles?
O Sr. Lopes já havia lidado com Narciso algumas vezes antes. Para ele, o homem não passava de um novo-rico um pouco arrogante e com algum dinheiro sobrando. Por que uma simples revista de segurança o faria ter uma explosão de raiva tão grande, a ponto de quase causar um tumulto na porta?
Fabíola encostou-se no parapeito, girando casualmente o champanhe na taça. Ao ouvir a pergunta, fez uma careta, com um tom de voz que não escondia o desprezo:
— O que poderia ser?
— Um novo-rico vindo do País A. Só porque tem um pouco de dinheiro, acha que o mundo inteiro deve girar ao redor dele.
— Cleiton, você sabe muito bem que os nossos seguranças vieram de baixo. O temperamento deles não é dos melhores, e às vezes o tom de voz sai meio agressivo. Aquele arrogante achou que a revista o estava desrespeitando e quis dar uma de todo-poderoso, só isso.
— Já vi muita gente grosseira e sem noção como ele.
— Então foi...
— Foram ordens do Senhor.
O Sr. Lopes pronunciou essas palavras com um tom de inquestionável respeito:
— O Senhor mandou que ficássemos de olho nesse Narciso, mas que não o ofendêssemos de jeito nenhum. A ordem é mantê-lo no jogo o máximo possível e observar.
— Do Senhor?
A expressão casual de Fabíola desapareceu em um instante.
Ela sabia muito bem o que o Senhor, mencionado pelo Sr. Lopes, significava. Era o verdadeiro dono do Cassino Safira Azul e de toda a vasta rede por trás dele — uma entidade tão misteriosa que até mesmo o pai dela o tratava com extrema reverência, e ela própria só conhecia o nome, mas nunca tinha visto o rosto.
Ela jamais imaginaria que um novo-rico tão insignificante do País A pudesse chamar a atenção do Senhor.

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