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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1306

Ele tinha um par de reis acompanhado de um ás e uma dama, uma mão extremamente forte. Com a sorte que o outro aparentava ter, já seria muito se conseguisse um par simples.

— Excelente! Muita coragem!

O Sr. Correia deu uma gargalhada e, sem mais hesitações, empurrou todas as fichas que lhe restavam para o centro da mesa.

— O Sr. Porto é direto! Então vou acompanhá-lo até o fim! Vamos virar as cartas!

Transbordando confiança e quase impaciente, ele bateu suas duas cartas viradas para baixo na mesa com um estalo seco.

Um rei e um ás. Somados a um rei entre as cartas comunitárias, ele havia formado uma trinca de reis com um ás, uma mão espetacular.

— Trinca de reis! Sr. Porto, foi um prazer!

O Sr. Correia estava radiante, exibindo um sorriso de vencedor que não fazia questão de esconder, e já esticava as mãos, ansioso para puxar a montanha de fichas acumulada no centro da mesa.

Na cabeça dele, aquelas fichas já eram suas.

No entanto, antes mesmo que seus dedos tocassem a borda das fichas, Narciso interveio e bloqueou seu movimento.

— Ei, Sr. Correia, qual é a pressa?

O Sr. Correia paralisou o movimento e ergueu o olhar.

Viu que o rosto de Narciso não exibia o colapso que ele esperava. Pelo contrário, aquela expressão antes tão tensa simplesmente desapareceu de repente, a ponto de ele dar uma alongada quase imperceptível nos ombros e no pescoço.

Ele olhou para o Sr. Correia, e os cantos de seus lábios até se curvaram ligeiramente para cima.

— Eu ainda não virei as minhas cartas.

Narciso falou de forma arrastada, com uma voz que não era alta, mas que ecoou claramente pela mesa, que havia mergulhado num silêncio repentino.

A mão estendida do Sr. Correia ficou suspensa no ar. A arrogância em seu rosto congelou num instante, transformando-se em choque e numa pontada de irritação por se sentir ofendido.

— Você...!

Antes que ele pudesse terminar, sob os olhares atônitos e subitamente focados de todos, Narciso, sem pressa alguma, usou dois dedos para pressionar levemente as duas cartas que mantivera viradas para baixo à sua frente.

Todos, quase em sincronia, observaram Narciso com a expectativa da próxima jogada.

Porém, sem que ninguém soubesse se Narciso estava se exibindo de propósito, seus movimentos continuavam irritantemente lentos.

O coração do Sr. Correia já estava na boca. Ver a lentidão do adversário fez com que uma raiva inexplicável, misturada a uma forte inquietação, subisse abruptamente à sua cabeça.

Ele havia apostado tudo, todas as suas fichas, na certeza de que iria ganhar. Ficar suspenso daquele jeito por causa da atitude do outro já o deixava ansioso, mas aquela postura de falso mistério acabou com sua paciência, fazendo-o apressar o adversário com voz áspera.

— Ei! Sr. Porto, por que está enrolando tanto?

— Se tem cartas, mostre logo! Um dez e um valete, que milagre isso pode fazer? Pare de fazer suspense!

— Com tanto mistério, vai me dizer que tem um straight flush?

Narciso, ao ouvir isso, levantou o olhar e o encarou de relance. Seu olhar era calmo e indecifrável, mas causou um calafrio inexplicável no coração do Sr. Correia.

Narciso soltou uma risada baixa e, com os olhos sorridentes, voltou-se para o Sr. Correia.

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