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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1308

Ele lembrava perfeitamente que, da última vez no salão do andar de baixo, aquele Narciso era apenas um novato ignorante que apostava sem critério e dependia da sorte cega. Como é que, em poucos dias, ele parecia ter se transformado em outra pessoa?

Um outro homem de meia-idade, usando óculos de armação dourada e com ares de executivo, ajeitou os óculos e finalmente não aguentou ficar calado, num tom que mesclava sondagem e curiosidade.

— Sr. Porto, parece que a sorte está sorrindo muito para o senhor hoje.

— Lembro-me de que, da última vez, lá embaixo, o Sr. Porto parecia... não conhecer bem as regras. Como é que agora o senhor parece outra pessoa, com uma habilidade que melhorou da noite para o dia?

A pergunta ecoou o pensamento de muitos à mesa. Até Fabíola soltou a taça e olhou para Narciso com um ar avaliador.

Narciso estava focado em contar animadamente as fichas recém-ganhas. Ao ouvir aquilo, levantou a cabeça, exibiu uma expressão orgulhosa e despreocupada, acenou com a mão e respondeu num tom casual, como se estivesse falando do clima.

— Ah, daquela vez eu tinha acabado de chegar, não tinha pegado o jeito ainda! Quando voltei para o hotel, não tinha nada para fazer, então peguei uns materiais para ler e fiquei pensando um pouco no assunto.

Ele pegou uma carta, girou-a entre os dedos e, num tom de quem teve uma epifania, disse:

— Acabei percebendo que é até bem simples. É só fazer umas contas e observar a expressão das pessoas. Depois de jogar um pouco, a gente pega o jeito.

Ele disse aquilo com uma leveza absurda, como se falasse de aprender a andar de bicicleta. Mas, para aqueles veteranos do jogo sentados à mesa, que conheciam a fundo a complexidade das apostas, aquelas palavras caíram como um trovão.

Fazer umas contas? Observar a expressão das pessoas?

Ele se consagrou, sem sombra de dúvida, como o grande vencedor da noite.

As fichas empilhadas à sua frente eram tão altas que quase bloqueavam sua visão, brilhando de forma tentadora sob a luz dos lustres de cristal.

Ele abriu um sorriso de orelha a orelha e, de forma um tanto desajeitada e cuidadosa, trocou todas aquelas fichas por cheques e dinheiro em espécie, enfiando tudo na carteira de mão que parecia cara, mas contrastava totalmente com o seu estilo.

— Ai, ai, foi um prazer, foi um prazer! Hoje a sorte estava comigo, dei sorte com vocês hoje, senhores!

Narciso falou alto, apertando a bolsa estufada debaixo do braço, como se temesse que alguém a roubasse, e acenou de qualquer jeito para os convidados ao redor da mesa, cujas expressões variavam em cores e pensamentos. Seu rosto estampava uma satisfação inegável, e sua voz soava alguns tons acima do normal.

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