O coração de Aeliana se acalmou, pois sabia que as coisas com Fado estavam garantidas.
— Então, muito obrigada, Sr. Barreiros.
— Aguardo suas boas notícias. E, se Cláudia sentir qualquer desconforto, por favor, entre em contato comigo a qualquer momento.
Ao desligar o telefone, Aeliana suspirou aliviada.
A eficiência de Fado era impressionante.
No dia seguinte à conversa por telefone, Aeliana já havia se encontrado com os homens que Fado enviara.
Ela nem sabia de onde ele tinha arrumado aquelas pessoas; pareciam apenas homens comuns, vestidos como estivadores do porto ou vendedores ambulantes. Se fossem jogados no meio de uma multidão, ninguém os notaria.
A única coisa que Aeliana percebeu de diferente era o olhar deles.
Tinham um olhar afiado e astuto, típico de quem vivia nas ruas e becos, conhecendo cada milímetro e cada segredo de Vila das Nuvens Cinzentas.
Aeliana não escondeu isso de Jocelino. Durante a noite, ao atualizá-lo sobre a situação, ela mencionou o assunto de passagem.
Jocelino, ao ouvir, ergueu levemente as sobrancelhas e brincou com Aeliana:
— Que beleza, Aeliana. Nessas horas a gente vê o seu valor. Agora você está dando ordens até em chefe de facção local? Nem eu, que sou o seu chefe, tenho todo esse prestígio.
— Você é bem mais importante do que eu.
Aeliana quase podia imaginar a expressão dele naquele momento, achando graça e revirando os olhos ao mesmo tempo:
— Não estou dando ordens em ninguém, ele só está me devolvendo um favor.
— Além disso, buscar informações locais com pessoas do próprio lugar não é bem melhor do que ficarmos dando tiros no escuro?
— Isso é verdade.
Jocelino parou de rir e adotou um tom mais sério:
Na superfície, o diretor do Hospital Orquídea parecia ir apenas do trabalho para casa e vice-versa, sem atrasos. No começo, eles também não notaram nada de errado.
No entanto, Ego e seus parceiros eram diferentes dos homens que vieram do Brasil com Jocelino. Eles eram moleques criados nos becos de Vila das Nuvens Cinzentas, o que fazia com que tivessem acesso a segredos que Jocelino jamais conseguiria descobrir sozinho.
Um dos garotos que estava na cola do diretor do Hospital Orquídea conhecia muito bem a área onde o homem morava.
Ele se lembrava vagamente de que, há alguns anos, houve uma grande comoção sobre uma obra de revitalização em uma rua antiga, e o prédio histórico onde o diretor morava ficava bem nessa área.
Mas, por motivos políticos e outras complicações, a revitalização do prédio nunca foi concluída.
Essa lembrança deu a Ego uma ideia.
Eles exploraram os fundos do prédio e descobriram que, atrás de onde o diretor morava, havia uma passagem secreta abandonada.
Fazendo as contas, provavelmente foi cavada secretamente a mando do próprio diretor pelos operários da época, quando a revitalização começou.
A passagem dava direto nos fundos do prédio histórico, em uma porta escondida e coberta por entulhos. Se eles não tivessem inspecionado o local milímetro por milímetro, jamais a teriam encontrado.

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