Aeliana tirou o casaco, caminhou até ele, sentou-se no sofá ao seu lado e, sem rodeios, contou em detalhes tudo o que Ego havia descoberto sobre o diretor, o beco escuro e a van executiva preta que apontava para o Parque do Sol Nascente, na Villa Atlântica.
— ...Então, agora basicamente confirmamos a localização: fica na região do Parque do Sol Nascente, na Villa Atlântica.
Aeliana explicou as descobertas de Ego e tocou no mapa exibido no tablet.
— O problema agora é que aquele lugar tem uma segurança extremamente rigorosa. É difícil até para os nossos se aproximarem, quanto mais descobrir os detalhes lá dentro.
Jocelino olhou para o mapa com o cenho levemente franzido.
O nível de segurança do Parque do Sol Nascente, na Villa Atlântica, não ficava atrás de instalações oficiais importantes. Tentar se infiltrar por meios convencionais seria, de fato, muito difícil.
Aeliana pensou por um momento, batendo levemente no queixo com o dedo, como se estivesse seguindo uma linha de raciocínio.
— Já que é tão difícil pelo lado de fora, haveria alguma chance de... entrarmos por dentro? Ou melhor, usar uma maneira “legal” de entrar?
Jocelino olhou para ela de soslaio, esperando que continuasse.
— Por exemplo...
Aeliana fixou o olhar nas propriedades marcadas esporadicamente na tela e analisou:
— Um lugar como aquele sempre vai precisar de pessoal para a limpeza diária, manutenção, cuidados com o jardim e até para o abastecimento de alimentos, certo?
Ela fez uma pausa, voltou o olhar para Jocelino e falou com um tom de quem propõe um debate:
— Estava pensando: se dermos um jeito de contatar ou... substituir alguém enviado por uma dessas empresas de serviços, será que não conseguiríamos uma brecha para entrar e até nos aproximarmos da área central?
A ideia soava um tanto arriscada, mas não era totalmente impossível.
Jocelino também estava ponderando a viabilidade disso, mas, antes que ele pudesse digerir a ideia e expressar sua opinião, Aeliana parecia já ter aprofundado o pensamento, complementando quase naturalmente:
Qual era a diferença entre isso e se entregar de bandeja na cova dos leões?
As sobrancelhas de Jocelino se franziram ainda mais, e ele estendeu a mão para segurar o pulso de Aeliana.
— Aeliana, podemos debater isso melhor, mas eu jamais permitirei que você se arrisque sozinha.
Aeliana, por instinto, virou a mão e deu tapinhas leves no dorso da mão dele, percebendo agudamente aquela tensão rara nele.
Aeliana olhou fundo em seus olhos escuros e, de repente, um pensamento cruzou sua mente como um relâmpago.
— Jocelino, eu sei que você se preocupa comigo.
— Mas... será que não estamos superestimando esse homem misterioso, achando que ele é assustador demais?
Enquanto dizia essas palavras, o próprio coração de Aeliana estremeceu levemente.

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