— ...Sra. Saramago, você... você realmente... para que tudo isso?
Jocelino fez uma pausa de alguns segundos, como se estivesse travando uma última batalha interna. Finalmente, com a voz de quem havia sido vencido pela insistência, ele cedeu.
— Tudo bem... tudo bem. Sra. Saramago, você venceu.
— Eu... eu aceito ir ao Grupo Saramago dar uma olhada. E... obrigado pelo presente generoso que você preparou para mim.
— Mas esse presente é realmente grande demais, preciso pensar com muito cuidado sobre como lidar com isso.
— Com muito cuidado, pode ser?
— Me dê um pouco de tempo e me deixe... conversar sobre isso com a minha esposa também.
Narciso concordou com extrema relutância, como se tivesse sido encurralado pela sinceridade de Fabíola, restando-lhe apenas ceder.
Mas, para Fabíola, aquilo era mais do que suficiente.
Pelo menos ele finalmente havia cedido. Não era mais uma recusa e uma fuga constantes.
O grande peso no peito de Fabíola finalmente desapareceu, e uma onda enorme de alegria e realização a inundou.
Estava vendo? Bastava ela persistir e demonstrar sinceridade suficiente. Não havia homem no mundo que ela não pudesse conquistar.
Aquela doentia jamais chegaria aos pés da importância dela, Fabíola.
Um sorriso triunfante surgiu em seu rosto. O tom de voz tornou-se imediatamente leve e sedutor, como se a urgência e a pressão de momentos atrás nunca tivessem existido.
— Então está combinado! Sr. Porto, à tarde eu mesma passarei no hotel para te buscar. Vamos primeiro dar uma olhada no cassino e depois conversaremos em detalhes sobre a nossa parceria, tudo bem?
— Tudo... tudo bem. — A voz de Jocelino ainda soava meio contrariada.
Ao desligar o telefone, a expressão no rosto de Jocelino sumiu instantaneamente, e seus olhos recuperaram a frieza e o foco.
Ele olhou para Aeliana e Wallace, um sorriso de canto despontando nos lábios:
— O peixe mordeu a isca. Ela me chamou para irmos ver o cassino juntos esta tarde.
A fumaça espessa impedia que os olhos ficassem abertos.
Amália descobriu com terror que estava presa no último andar da mansão. O chão sob seus pés fervia, e as escadas à sua frente haviam desabado.
Ela viu seu pai debatendo-se em vão no mar de fogo, soltando gritos desesperados, até que uma viga em chamas o atingiu em cheio, calando-o para sempre.
E do lado de fora do incêndio, em meio ao caos e ao desabamento, ela vislumbrou vagamente uma figura familiar.
O rosto de Marcelo carregava uma angústia e loucura que ela nunca tinha visto antes. Ignorando as chamas e os obstáculos, ele tentava desesperadamente avançar na direção dela, estendendo a mão e gritando o seu nome...
— Amália!
A voz de Marcelo pareceu atravessar o rugido das chamas, cravando-se diretamente em seus ouvidos.
Justo naquele momento, enquanto o choque daquele grito a fazia estender a mão para ele com todas as suas forças, Amália percebeu um rangido agonizante vindo de cima.
Ela ergueu a cabeça bruscamente, apenas para ver uma enorme viga em chamas, cercada de faíscas e fumaça negra, despencando cruelmente na direção da sua cabeça.

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