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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1453

— ...Sra. Saramago, você... você realmente... para que tudo isso?

Jocelino fez uma pausa de alguns segundos, como se estivesse travando uma última batalha interna. Finalmente, com a voz de quem havia sido vencido pela insistência, ele cedeu.

— Tudo bem... tudo bem. Sra. Saramago, você venceu.

— Eu... eu aceito ir ao Grupo Saramago dar uma olhada. E... obrigado pelo presente generoso que você preparou para mim.

— Mas esse presente é realmente grande demais, preciso pensar com muito cuidado sobre como lidar com isso.

— Com muito cuidado, pode ser?

— Me dê um pouco de tempo e me deixe... conversar sobre isso com a minha esposa também.

Narciso concordou com extrema relutância, como se tivesse sido encurralado pela sinceridade de Fabíola, restando-lhe apenas ceder.

Mas, para Fabíola, aquilo era mais do que suficiente.

Pelo menos ele finalmente havia cedido. Não era mais uma recusa e uma fuga constantes.

O grande peso no peito de Fabíola finalmente desapareceu, e uma onda enorme de alegria e realização a inundou.

Estava vendo? Bastava ela persistir e demonstrar sinceridade suficiente. Não havia homem no mundo que ela não pudesse conquistar.

Aquela doentia jamais chegaria aos pés da importância dela, Fabíola.

Um sorriso triunfante surgiu em seu rosto. O tom de voz tornou-se imediatamente leve e sedutor, como se a urgência e a pressão de momentos atrás nunca tivessem existido.

— Então está combinado! Sr. Porto, à tarde eu mesma passarei no hotel para te buscar. Vamos primeiro dar uma olhada no cassino e depois conversaremos em detalhes sobre a nossa parceria, tudo bem?

— Tudo... tudo bem. — A voz de Jocelino ainda soava meio contrariada.

Ao desligar o telefone, a expressão no rosto de Jocelino sumiu instantaneamente, e seus olhos recuperaram a frieza e o foco.

Ele olhou para Aeliana e Wallace, um sorriso de canto despontando nos lábios:

— O peixe mordeu a isca. Ela me chamou para irmos ver o cassino juntos esta tarde.

A fumaça espessa impedia que os olhos ficassem abertos.

Amália descobriu com terror que estava presa no último andar da mansão. O chão sob seus pés fervia, e as escadas à sua frente haviam desabado.

Ela viu seu pai debatendo-se em vão no mar de fogo, soltando gritos desesperados, até que uma viga em chamas o atingiu em cheio, calando-o para sempre.

E do lado de fora do incêndio, em meio ao caos e ao desabamento, ela vislumbrou vagamente uma figura familiar.

O rosto de Marcelo carregava uma angústia e loucura que ela nunca tinha visto antes. Ignorando as chamas e os obstáculos, ele tentava desesperadamente avançar na direção dela, estendendo a mão e gritando o seu nome...

— Amália!

A voz de Marcelo pareceu atravessar o rugido das chamas, cravando-se diretamente em seus ouvidos.

Justo naquele momento, enquanto o choque daquele grito a fazia estender a mão para ele com todas as suas forças, Amália percebeu um rangido agonizante vindo de cima.

Ela ergueu a cabeça bruscamente, apenas para ver uma enorme viga em chamas, cercada de faíscas e fumaça negra, despencando cruelmente na direção da sua cabeça.

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