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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1463

Marcelo concordou com um murmúrio:

— Eu só queria te avisar. Quando falar com a Aeliana, conte a situação para ela. Vou te enviar o número.

— Certo!

— Vou ligar agora mesmo!

Beatriz desligou, com o sono totalmente dissipado.

Embora detestasse Amália com todas as forças, ela sabia o que era prioridade.

O que Aeliana estava fazendo agora era muito importante, e nenhuma pista sobre Amália poderia ser ignorada.

Ela ligou imediatamente para Aeliana.

Vila das Nuvens Cinzentas.

A noite já ia avançada. As cortinas grossas bloqueavam as luzes da rua lá de fora, deixando no quarto apenas a fraca luz de um abajur noturno, que projetava um brilho quente no canto da parede.

Na cama grande, Aeliana estava aninhada de lado nos braços de Jocelino. Sua respiração era calma e profunda; ela já havia adormecido. A mão de Jocelino repousava sobre a cintura dela, mantendo uma postura protetora, mesmo em meio ao sono.

— Trim... trim...

— Trim... trim...

A tela do celular sobre a mesa de cabeceira acendeu de repente, emitindo uma vibração grave e o toque da chamada.

Aeliana abriu os olhos quase de imediato. Após um breve lampejo de confusão, ela olhou para a mesa de cabeceira e recobrou a lucidez em um instante.

Seu sono sempre fora leve. Especialmente desde que haviam chegado à Vila das Nuvens Cinzentas, ela mal conseguia ter uma noite de sono tranquilo. Afinal, o ambiente ali era complexo e eles estavam usando identidades falsas, o que exigia que se mantivessem alertas o tempo todo.

Aeliana se ergueu, movendo o braço de Jocelino com extrema delicadeza. Sentou-se e esticou a mão para pegar o celular.

O nome que piscava na tela era “Beatriz”.

Aeliana franziu a testa instintivamente.

Por que Beatriz estaria ligando tão tarde?

Será que era alguma emergência?

Enquanto ouvia, Aeliana já havia pegado seu bloco de notas e uma caneta na mesa de cabeceira e, à luz fraca do abajur, anotava rapidamente as informações principais.

A ponta da caneta deslizava pelo papel, fazendo um leve som de arranhão.

Aeliana anotou o número e manteve a voz firme:

— Entendi, Beatriz. Obrigada, essa informação é muito importante para mim.

— Diga ao seu irmão para não pensar muito nisso e vá descansar também. Vou ficar de olho nessa questão da Amália.

— Aeliana, tome muito cuidado! — Beatriz insistiu mais uma vez, sua voz cheia de preocupação. — A Amália e quem quer que esteja escondido nas sombras apoiando ela certamente não têm boas intenções! Aparecer assim de repente é muito suspeito!

— Fique tranquila, eu sei o que estou fazendo. Vou tomar cuidado.

Aeliana tranquilizou Beatriz mais um pouco antes de desligar.

O quarto mergulhou novamente na escuridão e no silêncio, e apenas a luz fraca da tela do celular iluminava o rosto de Aeliana.

Ela ficou ali, olhando para a sequência de números no bloco de notas, imersa em pensamentos.

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