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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1470

Essa sensação de controle absoluto e frieza já foi a maior fonte de segurança e o principal pilar de Amália, fazendo-a acreditar que, ao seguir seu pai, conseguiria tudo o que desejava.

Mas...

Para ser sincera, desde que tivera aquele pesadelo em que era devorada por chamas, a pressão psicológica sobre Amália naqueles dias havia chegado ao limite.

Aquela sensação de desespero, calor extremo, asfixia e a impossibilidade de escapar no sonho pareciam tão reais que, frequentemente, na calada da noite, a despertavam de um sobressalto de seu sono leve, deixando-a coberta de suor frio e com o coração batendo descompassado.

Ao acordar, deparando-se com aquela mansão luxuosa que mais parecia uma prisão e ouvindo o silêncio mortal do lado de fora da janela, essa inquietação e medo se multiplicavam.

Isso a fez nutrir uma dúvida e um temor sutis, nos quais nem ela mesma queria pensar muito, em relação a tudo à sua frente, e até mesmo em relação àquele “pai” onipotente que a havia resgatado daquela situação miserável em que vivia.

Será que esse caminho estava realmente certo?

Deixar sua terra natal, viver escondida como um rato assustado naquele espaço confinado, passando os dias apenas comendo, dormindo, encarando o bebê em seu ventre ou tendo ataques de fúria por qualquer insignificância. Era essa a “vida boa” que ela tanto queria?

Será que essa criança realmente traria o futuro que ela almejava?

Embora seu pai nunca tivesse dito abertamente, ela podia sentir que ele depositava grandes esperanças naquele bebê que ainda estava por nascer.

Mas e se... e se a criança não nascesse como o esperado? E se seu pai achasse que ela não tinha mais utilidade? Será que aquele pesadelo era um presságio de mau agouro?

Esses pensamentos roíam seu coração como serpentes venenosas, impedindo-a de se alegrar de verdade, mesmo agora, diante das promessas e do aparente cuidado de seu pai. Ela dependia dele, mas, inconscientemente, também o temia.

Ela precisava de sua proteção, mas não conseguia evitar a desconfiança sobre o preço por trás desse amparo.

Amália apertou as mãos, cravando as unhas nas palmas e sentindo uma leve dor.

Pelo menos, agora ela não estava de mãos vazias; ainda tinha seu pai para se apoiar e aquela criança em seu ventre, que poderia ser o ponto de virada em sua vida.

Amália fungou, enxugou as lágrimas do rosto de qualquer jeito com as costas da mão e soltou um “uhum” baixo, aceitando o arranjo do Sr. Marques. Sua voz ainda estava anasalada, mas aquela irritação histérica parecia ter se acalmado bastante.

— Então, eu agradeço primeiro ao senhor, pai.

O Sr. Marques pareceu erguer o canto dos lábios de forma quase imperceptível e acariciou a cabeça de Amália com afeto.

— Menina boba, eu sou seu pai.

— Entre família, não há necessidade de agradecimentos.

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