— Muito menos essa história de genro. Se isso for parar nos ouvidos da minha esposa, eu nunca mais vou conseguir me explicar!
Mas Beto claramente não acreditou. Pelo contrário: ficou ainda mais arrogante, convicto de que tinha acertado em cheio o ponto fraco de “Narciso”.
— Agora tá com medo, né?
— Tarde demais!
— Espera a Sra. Fabíola descobrir que você anda se engraçando pelas costas dela e ainda tenta enrolar todo mundo com papo de prima. Quero ver como você vai sair dessa!
Quanto mais falava, mais se sentia vitorioso. Já conseguia até imaginar a fúria da Sra. Fabíola e o tal Narciso de joelhos, implorando perdão.
Ele não percebeu que, assim que terminou de falar...
Jocelino virou levemente o rosto e encontrou o olhar de Décio pelo canto dos olhos.
Sem mudar a expressão, Décio fez um movimento quase imperceptível com a cabeça, em negativa.
Jocelino entendeu na mesma hora.
Aqueles dois idiotas provavelmente não sabiam de nada e, ainda assim, ousavam ameaçá-lo com tamanha presunção.
Desde que tinham acordado, a única coisa que vinham repetindo era a história da “mulher” e o nome de Fabíola. Não demonstravam a menor curiosidade ou suspeita em relação ao verdadeiro teor da conversa daquela noite.
Jocelino estreitou os olhos.
Tudo indicava que, com medo de serem descobertos, eles nem ousaram se aproximar o suficiente. Somando isso à escuridão, provavelmente só viram o vulto de uma mulher indo embora.
Além disso, Aeliana estava disfarçada. Eles não conseguiram ver seu rosto, muito menos seu corpo com clareza.
Quanto ao conteúdo da conversa, não ouviram absolutamente nada.
A tal “prova irrefutável” deles, e toda aquela arrogância ridícula, não passavam de conclusões tiradas do nada. Juntaram aquela cena com o interesse óbvio que Fabíola demonstrava por ele e inventaram um “caso secreto” na própria cabeça. Agora mal podiam esperar para usar isso como moeda de troca e trampolim para subir na vida.
Que estupidez.

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