— Quando cheguei, a Sofia me disse a mesma coisa.
Em seguida, mudando sutilmente o tom e com um ar de avaliação superior, ele falou devagar:
— Parece que ela realmente tem talento na cozinha.
— Então, daqui a pouco, eu mesmo vou provar com calma.
— Vamos ver se é tudo isso mesmo que vocês estão dizendo...
À primeira vista, aquelas palavras pareciam apenas um comentário casual.
Para Amália, aquilo soava como mera curiosidade do pai em relação à cozinheira. Mas, para Aeliana, que continuava de cabeça baixa, soou como uma sondagem leve, porém calculada.
Afinal, Aeliana tinha entrado ali com um objetivo oculto. Além disso, na fronteira, ela chegou a ficar cara a cara com Leonardo.
O aparecimento dele tinha sido repentino demais, e ela não tinha como saber se ele a havia reconhecido.
Mas entrar em pânico não adiantaria nada. Em momentos críticos, o mais importante era manter a mente afiada.
Aeliana sabia muito bem que, num ambiente cheio de olhos e ouvidos — ainda mais diante de um homem desconfiado como Leonardo —, falar demais seria um erro fatal.
O melhor naquele momento era permanecer em silêncio.
Pensando nisso, Aeliana abaixou ainda mais a cabeça e encolheu levemente os ombros, assumindo uma postura tímida e submissa.
O olhar de Leonardo pousou sobre aquela figura retraída por um instante. Como se não visse nada de especial ali, desviou a atenção e deixou de lado a “cozinheira”, como se ela fosse apenas um detalhe irrelevante no cenário.
Ele voltou a se concentrar em Amália, e seus olhos pousaram naturalmente sobre a barriga saliente da filha.
O ventre parecia ter crescido muito desde a última vez que ele a vira, arredondado e esticando o tecido de seda do robe quase ao limite, formando uma curva impressionante.

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