Aeliana foi até a porta e, depois de confirmar que o corredor estava vazio, deu algumas batidinhas na parede interna, no ritmo combinado.
Instantes depois, Evelise apareceu à porta, carregando uma bacia com lençóis sujos, como se estivesse apenas de passagem.
— Sra. Rabelo, devo levar isto para a lavanderia? — A voz de Evelise era baixa.
Aeliana assentiu e virou-se para deixá-la entrar, trancando a porta logo em seguida.
Sem perder tempo, foi direto ao ponto, sussurrando:
— Evelise, já sei o que fazer, mas vou precisar da sua ajuda.
Evelise largou a bacia imediatamente, com os olhos atentos:
— Diga.
— Eu conheço dois ingredientes naturais que, sozinhos, não fazem mal a ninguém. Mas, quando combinados com a infusão que Amália vem tomando na gestação, provocam uma reação adversa que acelera o metabolismo e causa um desequilíbrio interno, deixando o bebê muito agitado por um curto período.
— Essa combinação faz com que a gestante sinta movimentos fetais intensos e taquicardia.
Como Aeliana era responsável pelo cardápio, bastava incorporar esses ingredientes no jantar daquela noite.
Considerando o quanto todos na Villa Atlântica eram protetores com Amália, bastaria um pequeno alvoroço para que elas conseguissem uma desculpa para sair.
O olhar de Evelise ficou tenso:
— Você vai medicá-la?
— Isso não seria perigoso? E se descobrirem...
Aeliana sorriu para tranquilizá-la.
— Não se preocupe. Não é um remédio químico, é apenas uma incompatibilidade alimentar.
— Os sintomas parecem assustadores no momento, mas, na verdade, não causam nenhum dano permanente nem ao bebê nem à mãe. Tudo passa naturalmente depois de algumas horas.
— E, por se tratar de uma reação muito específica entre compostos naturais, médicos comuns dificilmente vão perceber isso de imediato, a menos que sejam especialistas em nutrição funcional, como eu.
Mesmo que descobrissem depois, elas já estariam longe dali, então não haveria motivo para preocupação.
Aeliana explicou, com os olhos transmitindo a calma e a confiança de uma profissional.
— Confie em mim. Com o meu conhecimento e a dosagem que vou usar, tenho certeza absoluta de que ela não sofrerá nenhum dano real.
Mas logo um obstáculo lhe veio à mente.
— Mas espere... se a Sra. Oliveira passar mal, você, como nutricionista dela, vai virar o centro das atenções. Vão ficar de olho em você o tempo todo. Como pretende escapar?
— É aí que você entra.
Aeliana encarou Evelise.
— Durante a crise médica, vai haver confusão.
— Você precisa aproveitar o caos para esconder um item no local que eu indicar.
— Dentro desse item estará um microchip com as informações cruciais que preciso levar para fora. Eu o recuperarei no momento oportuno.
— Além disso, quando eu der o sinal para escapar, vou precisar que você crie uma pequena distração para desviar a atenção dos seguranças.
Mesmo que fossem apenas alguns segundos, já seria o bastante para ela sumir.
Evelise entendeu o plano. Tratava-se de uma ação coordenada, em que a confusão serviria de cobertura tanto para a transferência das informações quanto para a fuga.

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