Aeliana pegou uma pequena quantidade de ambos. Sua expressão era tão serena quanto a de quem estivesse apenas separando os temperos mais comuns. Com extrema naturalidade, colocou os dois na panela de barro que fervia lentamente em fogo baixo.
A panela borbulhava, e o vapor fazia a tampa subir e descer de leve, extraindo pouco a pouco o aroma adocicado das plantas e o sabor rico dos ingredientes até que tudo se misturasse por completo.
O tempo passou em silêncio, entre a chama baixa e o vapor envolvente.
Finalmente, o momento chegou.
Usando um pano grosso para proteger as mãos, Aeliana destampou a panela de barro.
— Tss!
Com um som abafado, o ar quente acumulado liberou uma fragrância rica e complexa, que se espalhou rapidamente por um canto da cozinha.
O aroma tinha como base frango caipira e carne magra, num cheiro encorpado e saboroso, entrelaçado ao amargor adocicado típico das ervas orientais, como astrágalo e angélica-chinesa.
As frutas secas e as sementes que ela havia acabado de adicionar traziam uma nota de fundo suavemente adocicada, escondida sob o sabor principal e quase imperceptível.
O caldo tinha um belo tom dourado-claro, límpido e transparente, sem qualquer traço de gordura. Alguns pedaços de frutas secas e sementes brancas boiavam na superfície, balançando de leve com o líquido.
Parecia nutritivo, calmante e impecável, em nada diferente dos caldos que Aeliana costumava preparar. Na verdade, parecia até mais apetitoso por estar no ponto perfeito.
Aeliana mexeu levemente com a concha, permitindo que o aroma se espalhasse de maneira uniforme.
O vapor denso embaçou seus olhos, escondendo a decisão fria que passou rapidamente pelo fundo do seu olhar.
— Senhorita, a sopa está pronta. Beba enquanto está quente. Vai ajudar a acalmar os nervos.
Aeliana colocou a tigela de caldo diante de Amália, com um tom de voz gentil.
Amália não desconfiou de nada. Já confiava plenamente nos cuidados de Telma. Tomou a sopa em pequenos goles e ainda sorriu.
Achou que tinha se preocupado demais durante o dia e tentou se forçar a relaxar, mas, de repente, sentiu um movimento estranho no abdômen.
Logo em seguida, a sensação ficou cada vez mais evidente, cada vez mais intensa.
A criança em seu ventre parecia ter sido despertada de repente ou iniciara uma sequência de chutes violentos no espaço limitado do seu abdômen. A amplitude dos movimentos e a força dos golpes superavam qualquer coisa que ela já tivesse sentido ao longo de toda a gravidez.
— Ugh...
Amália soltou um gemido abafado de dor, cobrindo instintivamente a barriga com as mãos. Conseguia sentir claramente os punhos ou pezinhos desferindo golpes pesados, repetidas vezes, contra a parede do útero, e até...
Ela olhou para baixo em pânico. Sob a luz fraca do abajur, sua barriga redonda se projetava e afundava, revelando as marcas dos chutes da criança.
A dor aguda, acompanhada por um terror indescritível, a dominou. Em poucos minutos, ela já estava coberta de suor frio, e as costas do pijama grudavam na pele, frias e pegajosas.
— Dói... dói muito...

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