No momento, Amália estava no hospital “em observação”. Na aparência, parecia apenas repouso absoluto, mas, na prática, era mais uma proteção disfarçada.
Os guarda-costas deixados por Leonardo se revezavam na porta do quarto, e Sofia não saía do lado dela. Embora a própria Aeliana pudesse cuidar de Amália de perto, cada movimento seu provavelmente estava sendo vigiado.
Como ela conseguiria fazer uma mulher prestes a dar à luz “sumir” daquele hospital superprotegido sem alertar os seguranças ou Sofia?
Aeliana franziu a testa.
Usar força bruta era a pior opção. A chance de sucesso era quase nula, e o risco de causar danos incontroláveis era alto.
Ela precisava encontrar uma desculpa plausível, uma forma “natural” e lógica de tirar Amália do quarto.
Quase ao mesmo tempo em que Aeliana quebrava a cabeça tentando bolar uma rota de fuga dentro do quarto do hospital, Leonardo terminava de resolver o trabalho do dia.
Ele esfregou a ponte do nariz, a falha em sua sobrancelha parecendo ainda mais sombria sob a luz.
Naquele momento, a tela de um segundo celular, que repousava sobre a mesa de mogno, acendeu, avisando a chegada de um arquivo.
Ele o abriu casualmente e viu um retrato falado.
O homem na imagem aparentava ter uns trinta anos, rosto comum, usava óculos e exibia uma expressão levemente abatida, totalmente diferente do carismático presidente do Grupo Barreto que aparecia na mídia.
Num primeiro momento, o olhar de Leonardo apenas passou pela imagem de forma desinteressada.
Ele não suspeitou de nada.
Mas, num instante, seus olhos se fixaram no retrato daquele Narciso disfarçado, com o formato do rosto e as expressões faciais cuidadosamente alterados.
Havia algo errado.
Ele percebeu na mesma hora o que não se encaixava.
Na imagem, o homem parecia estar respondendo a uma pergunta; a cabeça estava levemente inclinada para o lado, revelando a linha do pescoço até a clavícula.
Leonardo já tinha visto exatamente aquela postura em inúmeras fotos tiradas às escondidas e nos dossiês de Jocelino. Era a linguagem corporal que Jocelino revelava involuntariamente quando estava focado ou se sentia ofendido.
— Excelente... excelente.
Leonardo ainda pensava na última vez em que o rival teve a sorte de sair por cima em outro lugar, obrigando-o a recuar temporariamente para a Vila das Nuvens Cinzentas, e em como cobraria aquela dívida aos poucos.
Mas quem diria... antes mesmo de ele começar a mover as peças, Jocelino havia se entregado de bandeja.
Quanto mais Leonardo pensava naquilo, mais empolgado ficava. Seus olhos brilhavam com o fervor de um caçador ao ver uma presa de alto nível cair na própria armadilha.
Jocelino realmente teve a audácia de se infiltrar na Vila das Nuvens Cinzentas e ainda acabou caindo nas mãos da polícia?
Aquilo era, sem dúvida, uma oportunidade caída do céu.
— Jocelino, desta vez foi você quem bateu à minha porta — murmurou Leonardo para si mesmo, com o olhar afiado como uma lâmina. — Em outros lugares eu talvez tivesse alguma cautela, mas na Vila das Nuvens Cinzentas... aqui é o meu território.
— Contas velhas e contas novas... desta vez, vamos acertar tudo de uma vez.
— Quero ver como você vai escapar das minhas mãos agora.

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