Leonardo engoliu a seco, o rosto pálido e o peito subindo e descendo freneticamente. Estava visivelmente no ápice da sua fúria, mas teve que se conter à força. Ele cerrava os punhos com tanta força que as unhas cravavam nas palmas das mãos, enquanto encarava a porta do armazém como se quisesse incendiá-la apenas com o olhar.
Jocelino, que estava sendo contido por dois guarda-costas, relaxou ligeiramente ao ouvir a voz de Aeliana. Um lampejo de ternura e preocupação cruzou seus olhos, mas foi rapidamente disfarçado. Ele logo retomou a sua postura impassível e tranquila.
Décio, parado na porta, também relaxou levemente a tensão nos lábios, soltando um suspiro interno de alívio.
Ao ouvir o silêncio repentino lá fora, o sorriso gélido de Aeliana tornou-se ainda mais evidente.
Ela sabia que Leonardo não ousaria pagar para ver.
Sem mais delongas, Aeliana foi direto ao ponto.
— O Sr. Marques não deve ter esquecido do acordo que fizemos antes de o senhor vir até aqui, certo?
— A sua filha e a sua neta estão perfeitamente a salvo sob a minha guarda.
— Agora, chegou a hora do senhor cumprir a sua parte.
— Solte Jocelino e deixe-o partir em segurança. Assim que eu confirmar que ele está a salvo, devolverei a sua filha e a sua neta intactas. Caso contrário...
Aeliana fez uma pausa, e a sua voz tornou-se fria e impiedosa, como a de quem não tem nada a perder.
— Não me importaria de fazer com que Amália e sua filha recém-nascida fossem enterradas junto com Jocelino.
— O senhor sabe muito bem que eu cumpro o que digo.
As veias latejavam na testa de Leonardo, e a mão que segurava a arma tremia de raiva. Ele fixava o olhar na porta de ferro, desejando que seus olhos a derretessem para poder despedaçar Aeliana ali mesmo.
Involuntariamente, ele virou o rosto para olhar Jocelino, que era mantido sob controle por dois de seus capangas.
Jocelino retribuiu o olhar, e o seu rosto não mostrava o menor traço de pânico ou medo. Pelo contrário, seu olhar era incrivelmente calmo, como se estivesse apenas assistindo a uma peça teatral, alheio ao conflito de vida ou morte à sua frente.
Isso deixou Leonardo ainda mais furioso.
Aquele casal de desgraçados! Como ousavam ser tão arrogantes estando tão perto da morte!

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