No fim das contas, Beatriz pegou o celular e discou o número do seu irmão, Marcelo.
Afinal, era a filha biológica dele.
Marcelo tinha o direito de saber disso e precisava enfrentar a situação.
O telefone tocou algumas vezes antes de ser atendido, trazendo a voz suave de Marcelo:
— Beatriz?
— Aconteceu alguma coisa tão cedo?
— Marcelo...
Beatriz começou, com a voz um pouco seca. Ela respirou fundo, tentando fazer com que seu tom parecesse o mais calmo possível.
— Acabei de falar no telefone com a Aeliana.
— Com a Aeliana?
— Como ela está? Você e a Aline não viviam reclamando que ela andava muito ocupada com os preparativos do casamento e que nunca conseguiam marcar de sair?
A voz de Marcelo carregava um leve sorriso. Evidentemente, ele também estava a par das novidades de Aeliana, mas, logo em seguida, pareceu notar algo de estranho no tom da irmã e mudou sutilmente o rumo da conversa.
— O que foi? Você parece... um pouco estranha.
— Aconteceu alguma coisa durante a conversa com a Aeliana?
Beatriz respirou fundo novamente. Sabendo que não conseguiria esconder nada da perspicácia do irmão, deixou as preliminares de lado e foi direto ao ponto:
— Nós conversamos sobre algumas coisas, sim.
— E tem uma coisa... que eu acho que você precisa saber.
— Que coisa?
O tom de Marcelo tornou-se visivelmente mais sério e preocupado.
— Por que você parece tão tensa? Aconteceu alguma coisa com a Aeliana?
A insistência de Marcelo fez o coração de Beatriz acelerar de novo, e ela se apressou em esclarecer uma parte.
— A Aeliana teve um probleminha, sim.
— Ela se machucou e agora está no hospital.
— Se machucou?
A voz de Marcelo ficou instantaneamente alerta. A suavidade de antes foi rapidamente substituída por preocupação, carregada de uma tensão quase imperceptível.
— Como assim? Como ela foi se machucar do nada?


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