Era como ouvir a história trágica de um desconhecido: talvez causasse um suspiro, mas jamais afetaria a própria vida.
Faria de conta que eram apenas estranhos.
Aeliana disse a si mesma.
Assim que esse pensamento surgiu, foi como se ela tivesse se livrado de um peso invisível, e seu peito de repente pareceu muito mais leve e amplo.
Sim, ela já tinha uma vida totalmente nova e pessoas que a amavam. Por que deixar as sombras do passado perturbarem o sol do presente?
Ela respirou fundo a brisa noturna que trazia o perfume fresco da vegetação, um sorriso aliviado voltou a florescer em seu rosto. Ela deu uns tapinhas nas costas da mão de Aline e seu tom recuperou a suavidade e a calma de sempre.
— Você tem razão, Aline. Eu estava focando demais nisso.
— Os problemas deles são só histórias para ouvir e esquecer.
— Venham, vamos continuar comendo. Jocelino, Frederico, tratem de colocar mais carne no fogo! Eu ainda estou morta de fome!
Ao ver que Aeliana voltara a sorrir e seu olhar estava límpido, Jocelino percebeu que ela realmente havia superado aquilo. Sentindo-se mais aliviado, ele concordou:
— Tudo bem, o que você quer comer? Vou assar agora mesmo.
— Eu também quero! Quero aquele camarão grande! — Aline levantou a mão imediatamente.
A atmosfera voltou a ficar animada e o carvão na churrasqueira pareceu queimar com mais vigor.
Após se despedirem de Aline e Frederico no portão da mansão da família Barreto e observarem as luzes do carro desaparecerem na noite, Jocelino abraçou Aeliana e ambos entraram no carro, retornando ao ninho de amor onde costumavam ficar agora.
Residencial Solar da Montanha.
O interior do carro estava silencioso e confortável.
Aeliana encostou-se no banco, observando a paisagem noturna e colorida da cidade pela janela, com o coração já completamente tranquilo.
Ao chegarem em casa, Aeliana se aninhou no sofá macio da sala de estar. Jocelino serviu um copo de água, entregou a ela e depois sentou-se ao seu lado.
Ele não ligou a TV nem foi tratar de trabalho imediatamente. Em vez disso, virou-se para ela, observando-a com um olhar terno e um tom que misturava uma leve sondagem com compreensão:
— Aeliana, antes, na casa velha, quando você ouviu a notícia sobre o Rodrigo... Você ficou um pouco chateada, não foi?

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