— Para a sua segurança e a da nossa menininha, o papai acha que não podemos correr esse risco. Por isso, quero levá-la temporariamente para longe da Vila das Nuvens Cinzentas, para esperar a poeira baixar.
— Para onde?
A voz de Amália Oliveira soava um pouco seca. Ela olhou para a filha em seus braços, que não percebia nada ao redor, e depois para o pai, com os olhos cheios de resistência e inquietação.
— Além da Vila das Nuvens Cinzentas, para onde mais podemos ir agora?
— Voltar para os outros lugares?
Ela deixou a pergunta escapar, mas logo a descartou.
Voltar para os outros lugares?
Lá estavam Jocelino Barreto e Aeliana Oliveira, o que seria ainda mais perigoso do que a Vila das Nuvens Cinzentas.
Leonardo Marques balançou a cabeça e cuspiu as palavras:
— Para a fronteira.
— Nós vamos para a fronteira.
— Para a fronteira?
A voz de Amália Oliveira subiu de tom descontroladamente. O bebê em seus braços pareceu se assustar e se contorceu inquieto. Ela imediatamente se calou e abaixou a cabeça, apressando-se em acalmá-la suavemente.
Mas quando ergueu o rosto novamente, suas sobrancelhas estavam fortemente unidas, exibindo uma resistência indisfarçável.
— Pai! O que você disse quando me tirou de lá? Você disse que me traria para a Vila das Nuvens Cinzentas, que aqui havia os melhores hospitais, a vida mais próspera, que era seguro!
— E agora você me diz que vamos para a fronteira? Para aquele tipo de lugar?
Amália Oliveira havia crescido em um ambiente privilegiado e, mesmo após as reviravoltas que a levaram a ser resgatada por Leonardo Marques, a Vila das Nuvens Cinzentas já parecia o seu limite.
A fronteira... era completamente outro mundo.
Caos, desordem, pobreza, perigo, drogas, senhores da guerra locais... todos os rumores terríveis sobre a região invadiram sua mente de uma só vez, fazendo-a sentir calafrios e quase ficar sem ar.


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