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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 974

Durante o tempo em que planejavam juntos, o homem misterioso mencionava com frequência Amália e a criança em seu ventre, embora Gervásio não soubesse qual era exatamente a relação entre eles.

Gervásio pensou que, já que o outro se importava tanto com ela, certamente ficaria feliz em vê-la.

Se Amália e o homem misterioso estabelecessem um bom relacionamento, a futura cooperação de Gervásio com ele seria ainda mais tranquila.

Os cálculos na mente de Gervásio eram ambiciosos. Ao terminar de falar, seu coração estava quase saindo pela boca.

Ele prendeu a respiração, fixando o olhar no outro, sem perder nenhum movimento sutil.

— Não é necessário. — A resposta do homem mascarado foi seca e direta, sem rodeios. A voz filtrada pelo modificador soava tão estável que não se percebia qualquer hesitação. — Agora não é o momento.

O coração de Gervásio afundou.

O homem misterioso era como um osso duro de roer. Durante as chamadas telefônicas anteriores, isso não era tão óbvio, mas ao encontrá-lo pessoalmente, a sensação tornou-se evidente para Gervásio.

Ele sentia que a comunicação com o homem misterioso era como falar com um bloco de gelo invisível; não importava o assunto que lançasse, o homem parecia ignorar.

Embora estivesse cheio de dúvidas, Gervásio não ousava perguntar diretamente.

Seu sorriso permaneceu inalterado, tornando-se até mais solícito e caloroso. Ele concordou rapidamente, adotando um tom de autoculpabilização adequado:

— É, é, é... O senhor ponderou perfeitamente, tem uma visão de longo alcance! Fui precipitado, não pensei direito. Só queria deixá-lo tranquilo e esqueci do panorama geral.

Ele continuou, concordando consigo mesmo:

Mas, observando a aura e os métodos daquele homem, ele não parecia o tipo que se prenderia a romances passados.

Então... será que ele tinha alguma ligação mais profunda e desconhecida com a família Oliveira, que agora estava em ruínas?

O olhar de Gervásio não pôde deixar de varrer discretamente, mais uma vez, as mãos do homem mascarado, repousadas naturalmente sobre as pernas cruzadas. Elas usavam luvas de couro preto macio, mas ainda era possível ver que os nós dos dedos eram longos e definidos, e a pele nos pulsos era firme, certamente não pertencendo a um idoso.

Mas se fossem conhecidos da mesma geração, por que a necessidade de se esconder tanto? A ponto de processar a voz em várias camadas para não deixar brechas?

Quanto mais Gervásio pensava, mais densa ficava a névoa da dúvida, mas ele não ousava demonstrar nada em seu rosto. Pelo contrário, tornou-se ainda mais servil, pegando uma garrafa de água mineral importada do frigobar ao lado do assento. Com movimentos ágeis, abriu a tampa e, curvando-se levemente, ofereceu-a com um tom cheio de solicitude:

— Senhor, a viagem foi longa e cansativa, e ainda há caminho pela frente. Beba um pouco de água para hidratar a garganta e descanse um pouco. Verifiquei pessoalmente a acomodação preparada para o senhor. É uma mansão isolada no subúrbio, ambiente tranquilo, nível máximo de segurança. Garanto total privacidade e que o senhor não será incomodado por absolutamente ninguém.

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