O rosto de Rodrigo transparecia um cansaço profundo. Ele parou subitamente no hall de entrada, com a expressão escurecendo, pois obviamente ouvira as palavras da mãe antes mesmo de entrar.
— Mãe! Que absurdo você está dizendo de novo!
Rodrigo também vira a notícia sobre o acidente de Aeliana no celular. Diferente de Daniela e dos outros, ele sentiu uma pontada de pesar e arrependimento pela irmã.
Apesar de terem vivido em pé de guerra, desprezando-se mutuamente no passado, Rodrigo sabia que a situação deplorável em que a família Oliveira se encontrava era inteiramente responsabilidade de Gustavo, e não tinha nada a ver com Aeliana. Pelo contrário, se Aeliana quisesse ter chutado cachorro morto e jogado lenha na fogueira, a família Oliveira estaria numa situação centenas de vezes pior do que a atual.
Infelizmente, Gustavo nunca enxergou a realidade. Sua arrogância o fazia acreditar que a culpa era sempre dos outros, nunca refletindo sobre seus próprios problemas, até que finalmente colheu o que plantou.
Daniela se assustou com o grito repentino do filho, mas logo fez um bico de descontentamento, assumindo uma expressão de quem foi injustiçada, mas que ainda assim tinha razão.
— Como assim absurdo? O que eu disse de errado? Ela morreu! Isso não é uma maravilha?
— Eu lembro que vocês não se davam tão bem assim. O que foi? Agora que a Aeliana morreu, você resolveu ver as qualidades dela e quer culpar seus pais?
Daniela falava com uma convicção irritante. Rodrigo não conseguia explicar, nem tinha como expressar claramente o que sentia.
Ele jogou os suplementos na mesa de centro, produzindo um som abafado. Respirou fundo, o peito subindo e descendo violentamente, tentando reprimir as emoções que borbulhavam dentro dele, e tentou argumentar com Daniela, impotente:
— Mãe, a Aeliana já se foi. De que adianta falar essas coisas agora? Você não pode ter um pouco de compaixão e segurar a língua?
Desde que a desgraça se abateu sobre a família Oliveira, Rodrigo não teve descanso; sua voz carregava a rouquidão da exaustão e da fraqueza.
Rodrigo já estava se controlando ao máximo, mas Daniela parecia ter sido ferida em seu ponto fraco, e sua voz subiu de tom abruptamente.
— Isso... isso é o que ela devia à família Oliveira! Era obrigação dela! Se não fosse por ela, nós nunca teríamos chegado ao ponto de precisar da misericórdia dela!
Rodrigo olhou para o rosto da mãe, marcado pela paranoia e pelo ressentimento, e uma profunda sensação de impotência tomou conta de seu corpo.
Ele não tinha mais forças para discutir.
Rodrigo caminhou silenciosamente até a janela. O vidro do apartamento no bairro antigo estava coberto por uma camada de poeira. Lá fora, o céu estava cinzento, opressivo, dificultando a respiração.
Uma tristeza complexa e dolorosa começou a se espalhar lentamente de seu coração.
Não era apenas pela notícia fria da morte no noticiário. Rodrigo olhava para a teimosia e arrogância de Daniela, e para a prepotência de Gustavo; a obstinação deles era como um pântano que, aos poucos, o tragava para a morte na lama.

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