Para conseguir um emprego e descobrir o que estava acontecendo, Rodrigo marcou um café com um antigo colega de faculdade.
Na hora marcada, a pessoa que Rodrigo convidou ainda não havia chegado.
O homem chegou com dez minutos de atraso, com a testa suada.
— Desculpe, Rodrigo, trânsito, muito trânsito. — Pablo Siqueira afrouxou a gravata, evitando olhar diretamente para ele. — Como você tem estado?
— Nada bem. — Rodrigo colocou a xícara de café sobre o pires, fazendo um som nítido. — Pablo, nos conhecemos há anos, não faça rodeios comigo. Fale de uma vez, alguém mexeu os pauzinhos?
Pablo quase se engasgou com o gole de café e pegou um guardanapo para limpar a boca:
— Olha só você, pensando demais... O mercado está ruim...
— Fiz três entrevistas esta semana. Duas mudaram de ideia na hora, e a outra, que estava indo bem, desandou depois de um telefonema. — Rodrigo inclinou o corpo para frente. — É tudo obra do Gervásio, não é?
Pablo travou. Seus olhos desviaram, e por fim ele suspirou profundamente, baixando o tom de voz:
— Rodrigo, sobre isso... eu realmente não sei como te dizer. O Grupo Costa realmente espalhou a palavra. Ninguém no meio tem coragem de se envolver com você agora. Semana passada, a empresa do Matheus queria te contratar como consultor, mas o pessoal do Gervásio foi direto lá e disse que, se ousassem te contratar, cortariam o fornecimento deles no próximo trimestre.
Rodrigo apertou a colher de café com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos:
— Só por causa daquilo com a Beatriz? O Gervásio precisa nos pressionar até a morte?
— Não é só pela Beatriz. — Pablo se aproximou mais, sussurrando. — A família Costa está engolindo o seu Grupo Oliveira. Ele quer exterminar tudo. Ouvi dizer que o Gervásio disse abertamente em um jantar que quem te contratar estará comprando briga com ele.
Ele fez uma pausa, como se lembrasse de algo:
— Até na sua entrevista na SumaTech Soluções na semana passada... aquele telefonema que a diretora de RH atendeu foi um aviso da assistente do Gervásio.
— O Sr. Lopes tinha uma certa amizade com meu pai e me contou em segredo. — Rodrigo empurrou o café frio para o lado. — Pablo, agradeço sua intenção, mas não arrisque seu futuro por mim.
Pablo abriu a boca, mas acabou apenas soltando um suspiro pesado.
Quando voltou para casa, já estava totalmente escuro. Daniela estava de plantão na sala e foi recebê-lo assim que ouviu o barulho.
— E então? Alguma chance hoje? — Ela olhou para ele com expectativa, limpando as mãos no avental.
Rodrigo arrancou a gravata, jogou-a no sofá e afundou no estofado:
— Mãe, não me pergunte mais sobre as entrevistas.
— Por quê? Eles acharam defeito de novo? Eu sempre disse que essas empresas...

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