Como o vovô pôde apresentar pretendentes para a Zélia!
Sérgio achou aquilo tanto ridículo quanto revoltante, sentindo uma raiva de invasão de território.
No fundo de sua mente, Zélia era dele — mesmo que ele já não gostasse dela, mesmo que estivessem separados, ainda assim, não permitia que Zélia ficasse com outro homem.
De jeito nenhum!
– Vovô, eu...
Assim que Zélia começou a falar, a porta do escritório foi aberta de repente, e Sérgio entrou com o rosto carregado de fúria.
– Eu não permito, vovô, eu não permito!
O velho Sr. Faro, ao ver o neto, sentiu sua ira crescer ainda mais. Bateu com força a bengala no chão e bradou:
– E por que você não permite? Zélia não tem mais nenhuma ligação com você. Você não tem o direito de impedir nada.
As palavras do velho Sr. Faro atingiram Sérgio como um golpe pesado, deixando seu peito apertado e dolorido.
Ele então fixou o olhar em Zélia, que desde sua entrada não lhe dirigira um olhar sequer. Sua indiferença e frieza traziam-lhe ainda mais dor ao coração.
– Zélia, você está mesmo tão carente assim? Mal se separou de mim e já quer se jogar nos braços de outro homem?
– Seu desgraçado! – Antes que Zélia pudesse responder, o velho Sr. Faro acertou Sérgio com a bengala. – Como tem coragem de dizer uma barbaridade dessas? Você não soube valorizar a Zélia, mas quer impedir que outros a valorizem?
O velho Sr. Faro estava tão furioso que quase perdeu o equilíbrio, mas Zélia o segurou a tempo, evitando que caísse.
– Vovô, o senhor está bem?
– Vovô, o senhor se machucou?
Sérgio também demonstrou preocupação. Na verdade, já se arrependera das palavras assim que as dissera.
Falara sem pensar, tomado pela raiva.
Quando Sérgio tentou ajudar, estendendo a mão, o velho Sr. Faro afastou-a bruscamente.
– Não preciso da sua ajuda.
O velho Sr. Faro sabia que Zélia não queria ver Sérgio. Ele próprio já não queria olhar para o neto ingrato, então assentiu:
– Tudo bem, vá cuidar dos seus afazeres. Quando puder, venha visitar este velho aqui.
Zélia assentiu e então foi embora.
Ao vê-la partir, Sérgio ignorou a tentativa do velho Sr. Faro de detê-lo e correu atrás dela.
– Zélia, pare agora mesmo!
Mas Zélia não só não parou, como acelerou o passo, como se Sérgio fosse um perigo do qual precisava fugir o quanto antes.
Sérgio praguejou baixinho e, ao correr apressado, acabou esbarrando em uma funcionária da casa.
A funcionária, assustada, desculpou-se:
– Me desculpe, senhor, não foi minha intenção. O senhor não se machucou?

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