Sérgio, é claro, não tinha enlouquecido. De repente, ele percebeu o quão terríveis haviam sido aqueles três anos em que Zélia fora sua esposa.
Devido à sua antipatia e indiferença por ela, era certo que sua mãe nunca a tratara bem, usando-a como se fosse uma empregada.
Não apenas isso, provavelmente até os empregados da casa não a viam como a verdadeira dona.
Seria impossível dizer que ele não sabia de nada disso — ele sempre permitira, permitira que todos a maltratassem, pois quem mais a humilhava era ele próprio.
Ele se considerou pior do que um animal!
De repente, Sérgio deu dois tapas fortes no próprio rosto.
Beatriz, ao ver aquela cena, passou da raiva para o desespero.
— Sérgio, o que é isso, meu filho? Não assuste sua mãe assim.
Sérgio afastou a mão de Beatriz, que tentava tocá-lo.
— Mãe, eu vou trazer a Zélia de volta, e espero que a senhora a trate bem desta vez, caso contrário...
Ele não terminou a frase, mas Beatriz sentiu um calafrio ao perceber a raiva e ameaça que vinham daquele olhar profundo.
— Caso contrário, o quê? Você vai me abandonar, é isso?
Sérgio curvou os lábios num sorriso frio e sarcástico.
— A mãe não tem um amante fora de casa? Eu não me importaria de ver a senhora morando com ele.
Era uma ameaça clara de expulsá-la de casa!
O coração de Beatriz afundou, e ela se deixou cair no sofá, demorando a recobrar os sentidos.
Como seu filho, a quem criou com tanto esforço, poderia tratá-la daquele jeito?
Devia ser culpa da Zélia, só podia ser, foi ela quem envenenou o pensamento do filho!
Antes, Beatriz apenas não gostava de Zélia, mas agora passou a lhe guardar rancor.
— Não, vovô, está tudo bem comigo.
Zélia não pretendia contar ao Velho Senhor sobre os incômodos que Sérgio vinha causando.
Primeiro, porque não queria preocupá-lo; segundo, porque achava que ainda podia lidar com a situação. Além disso, já fazia dias que Sérgio não a procurava, provavelmente não apareceria mais.
— Que bom — disse o velho Sr. Faro, dando um tapinha carinhoso na mão de Zélia, o rosto cheio de ternura. — Zélia, por que não vem morar aqui comigo?
A Casa Antiga Faro era muito grande, mas também muito silenciosa. Ali só viviam o velho Sr. Faro, o mordomo e alguns empregados; os filhos do velho senhor não moravam mais ali.
Com a idade, o velho Sr. Faro passou a gostar de companhia e sempre desejava ter alguém por perto.
— Vovô, não precisa. Mas se o senhor se sentir sozinho, posso vir mais vezes fazer companhia. Só espero que o senhor não ache isso incômodo.
No início, o velho Sr. Faro ficou um pouco desapontado com a recusa de Zélia, mas logo sorriu ao ouvir que ela viria visitá-lo sempre.
— Como eu poderia achar incômodo? Eu adoraria! Então está combinado, Zélia, você precisa vir ver o vovô com frequência.

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