Voltei para o meu quarto com as novas informações girando na minha cabeça. As fêmeas tramavam um golpe e meu pai, na tentativa de trazer minha mãe de volta, fazia vista grossa. Para complicar, ainda havia uma fêmea fazendo algo suspeito e, sabendo que bruxaria é real, talvez houvesse alguma coisa nesse sentido acontecendo.
Voltei para o meu quarto e encontrei Cass em lágrimas.
— O que aconteceu? — Corri até a cama.
— Nada. Eu só não quero que você vá embora.
Enxuguei o rosto dela e ri.
— Por que você já está preocupada com o fim do verão se eu acabei de chegar? — Desabei na cama ao lado dela e escutei seus fungados.
— Eu sei, é estúpido. — Mas eu consegui sentir um leve traço de medo no ar e soube que alguém havia dito algo a respeito de me fazer ir embora antes.
— Quem esteve aqui, enquanto eu estava fora? — Vi seu corpo ficar tenso, mas depois relaxar.
— Ninguém. — Ela desviou o olhar e o medo sumiu. Como se tivesse recuperado o controle das emoções.
— Fala comigo. Não vou poder ajudar se não souber o que está acontecendo. — Sussurrei. Entrelaçando meus dedos nos dela.
— Você não pode ajudar, de qualquer forma. Logo você vai embora e a gente vai estar aqui de novo... sozinhas. — A mão dela apertou a minha.
— Sozinhas, nunca. Vou conversar com as fêmeas Beta e Gama e, juntas, vamos colocar essa alcateia nos trilhos, antes que eu vá embora. — Se eu pudesse evitar, aquilo não continuaria.
— Sério? — Consegui ouvir um fiozinho de esperança na voz dela.
— Sério. Já falei com o meu pai. Isso tudo vai acabar. — Como alfa, essa mudança de poder era contra tudo o que defendíamos. Os únicos com poder suficiente para liderar deveriam estar na estrutura de comando. Todos os outros deveriam ser iguais. Era assim que a Deusa da Lua queria e era assim que tinha que ser.
— Agora me diz o que está acontecendo com você.
— Eu não posso. — Ela sussurrou de volta. E finalmente tudo fez sentido.
— Quem disse o quê para você?
— Ninguém. — O medo escapou dela de novo. E ela se sentou. — Não insiste nisso, Amy. Por favor. — Vi minha melhor amiga, minha irmã de alma, me implorar para que eu não forçasse a barra.
— Está bem. — Cedi. O que mais eu podia fazer? — Vamos nos arrumar. — Levei ela até a cadeira, na frente da minha penteadeira. — Agora, feche os olhos e nada de espiar. — Cass só balançou a cabeça e fechou os olhos enquanto eu começava a trabalhar.
Comecei pelo cabelo. Usei o secador para terminar de secar, depois enrolei. Quando ele estava todo enrolado, prendi num coque frouxo, com alguns cachos caindo.



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