— Minha santa deusa… — Os dedos de Wendy se mexeram nos meus cabelos.
Mas Toya apenas assentiu.
— Enquanto eu lia mais sobre a caminhada espiritual, aprendi sobre a Mara. — Ela limpou meu braço, arrancando de mim outro sibilo de dor.
— Mara?
— Significa alma amarga. É como você explicou: uma alma perdida, seja porque se perdeu enquanto ainda vivia, seja depois de morrer, e que vaga por aí procurando uma vida para tomar. Se você tivesse lido mais sobre isso, estaria preparada.
— Ei, calma. — Eu tentei me afastar, mas ela me empurrou de novo para baixo.
— Deita. Quero ver sua cabeça. — Toya insistiu, e Wendy ajudou a separar meu cabelo.
— Amy… — Ela sibilou ao ver o estrago.
Eu me acomodei de novo, soltando o ar com força.
— Eu li aquele livro de ponta a ponta.
— Tinha umas páginas coladas. Não sei por quê. — Toya bateu com o dedo numa página. — A Wendy me ajudou a descobrir.
— Eu tive que usar um pouquinho de água nas bordas para soltar as páginas. Depois usei o secador para secar de novo.
— Sério? — Eu soltei outro sibilo quando os dedos de Toya tocaram um pedaço do meu couro cabeludo. Queimava.
— Eram algumas páginas de explicação e uns outros feitiços que eu não entendi. — Toya se levantou e começou a se afastar. — Fica deitada.
Soltei uma risadinha.
— Ela é mandona.
— Ela estava preocupada. — A voz de Wendy saiu suave. — Muito preocupada, porque você gritou por nós, gritou nossos nomes, e acho que foi a primeira vez que ela não pôde fazer nada a respeito.
Toya voltou com uma escova, um pente, um borrifador e uma tesoura.
— Pra que isso?
— Amor, seu cabelo foi puxado e cortado em alguns pontos. Vou fazer o possível para arrumar de um jeito que ninguém perceba as falhas. — Toya me puxou para sentar e me fez inclinar para a frente, sentando-se atrás de mim no sofá. Ela começou a desembaraçar meus fios. — Você me assustou.
— Você assustou a gente. — Wendy corrigiu.
Assenti enquanto Toya trabalhava, mas as mãos dela pararam quando um celular tocou. Wendy e Toya olharam para os próprios aparelhos, mas eu reconheci o toque.
— Wendy, pega minha caixa com cadeado. É meu celular reserva.
Ela assentiu e correu para o meu quarto.
— Quem será que está te ligando? — Toya continuou.
— Não sei, mas pouca gente tem o número.
O toque parou quando abri a caixa. Peguei o aparelho justamente quando ele tocou de novo. Atendi e coloquei no viva-voz sem pensar.
— Alô?
— Amy? — A voz suave fez meu estômago se contrair.

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