Desci as escadas de volta para a caverna. O livro era mais pesado do que eu esperava e pesava nos meus braços enquanto me esgueirava de volta pela entrada da caverna e retornava ao túnel. Comecei a correr, com a sensação de que algo me perseguia. Mas assim que pisei no último degrau das escadas que levavam para cima, um uivo rasgou o ar, só que não era como nenhum uivo que eu já tivesse ouvido antes. Era mais profundo, mais sombrio e, de algum modo, tinha dois tons. Fez até Nix se encolher e Megan se esconder.
— Que porra foi essa? — Virei-me para o caminho por onde acabáramos de vir, mas minha lanterna não revelou nada. — Parecia que estava bem atrás de mim.
“Vinha de longe.” Nix andava inquieta, na beira de sua toca, roçando sua pelagem na lateral do meu corpo, acalmando a mim e a ela com o contato.
— Como aquilo conseguiu me alcançar aqui embaixo? — Me virei de novo e subi as escadas tropeçando.
“Era alto assim.” A voz de Nix soava um pouco ofegante.
— Você está bem? — Parei com a mão na porta e esperei Nix responder. Outro uivo rasgou o túnel, de algum modo ainda mais alto. E Nix começou a ofegar. — Nix? O que está acontecendo aqui?
“Não sei. Mas não consigo conter minha reação ao chamado. Vá. Agora. Antes que eu não consiga me controlar e te mantenha aqui, esperando pelo macho que está nos chamando.” Nix respirou pesadamente e se enfiou de volta na escuridão, forçando cada passo. “Vá agora. Ele está vindo.”
Empurrei a escotilha e a bati atrás de mim, correndo até o painel e fechando tudo. Certifiquei-me de que tudo estava lacrado antes de sair correndo direto para a casa da alcateia.
— Amy! — Olhei por cima do ombro ao atravessar a porta dos fundos e dei de cara com Cass.
— Cass! — A segurei para que não caísse de bunda no chão e olhei novamente para trás.
— Uau. Você tá bem? — Cass segurou meu braço e eu voltei minha atenção para ela.
— Tô. Tô bem, sim. Por que a pergunta? — Soltei-a e voltei para a porta dos fundos.
— Bem, você está agindo tipo... assim. — Ela gesticulou de cima a baixo apontando para mim e depois riu. — Tá procurando alguma coisa? Ou alguém?
Espiei por entre a cortina. Depois me virei de novo.
— Não. Não. Claro que não. — Ri e me sacudi. — Tô bem. — Respirei fundo e virei para Cass. — Você tava me procurando?
— Sim. Há tipo... umas seis horas. — Cass parecia preocupada e se aproximou de mim. — Tem certeza de que você está bem? E por que está segurando uma pedra?
— O quê? — Olhei para o livro nas minhas mãos e depois para Cass, que também encarava o livro. — Isso aqui? — Balancei-o e ela assentiu.


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