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Destino Alterado (Alicia S. Rivers) romance Capítulo 285

Eu despejei tudo em uma tigela sobre o balcão. Do que, diabos, ele estava falando? Conferi os outros bolsos dele por precaução antes de me erguer. Peguei a pá, virei-me para o homem e para a cova, mas, antes que eu pudesse cobrir a cova, senti uma mão no meu ombro.

Eu me virei e, então, vi minha avó, a tristeza marcada no rosto.

— Não sei o que devo fazer.

— Eu sei, amor, é por isso que estou aqui. — Ela se inclinou e beijou minha bochecha. — Pegue um punhado de terra.

Ela indicou o monte com um aceno. Eu larguei a pá e peguei um punhado, depois me virei para encará-la com expectativa.

— Carl, ou melhor conhecido como Carlithaen, o xamã de outrora. Nós o deitamos para descansar, para se juntar à Deusa da Lua. Que os campos dela sejam claros e frescos. Que seu lobo e você corram juntos por toda a eternidade.

Ela assentiu para mim e eu fui soltar a terra, porém algo me deteve.

Minha avó se voltou para mim, e eu pude ver a confusão no olhar dela.

— Eu...

— Siga o seu instinto.

Eu respirei fundo e fechei os olhos. Eu me abri para a minha magia, e ela saltou para as pontas dos meus dedos.

— Isla fo int ye per ta na shado.

Os olhos da minha avó se arregalaram.

— Por que você fez isso?

— Fazer o quê?

Eu senti a magia correr para a terra nas minhas mãos e, então, polvilhei a terra sobre Carl.

— Você protegeu a cova dele. — Ela inclinou a cabeça. — Não, isso não está certo.

— O quê?

— Você acabou de dizer um feitiço. — Eu assenti.

— E...

— E não era antes, até agora. — A voz dela saiu suave.

— Claro que era. Eu me lembrava disso no livro.

Ela balançou a cabeça.

A Deusa da Lua e a Deusa de Três Cabeças ficaram lado a lado junto ao carvalho. Eu olhei de uma para a outra e depois para minha avó. Ela fez uma reverência ao encarar as duas deusas.

— Mãe, Donzela, Anciã. Sejam bem-vindas. Deusa da Lua, seja bem-vinda.

Os olhos dela encontraram os meus e houve uma centelha de medo no olhar.

— Feliz encontro, minha criança. — A deusa mutável se aproximou, fitando meus olhos, mas eu apenas larguei a pá e as encarei. A surpresa cruzou o rosto dela. — Você não tem medo de mim?

— Deveria ter? — Minha voz saiu baixa.

Ela sorriu de leve, um som que parecia ecoar entre as estrelas, mas a Deusa das Bruxas jogou a cabeça para trás e gargalhou.

— Não, minha criança, você não deveria. Mas até os mais devotos dos meus seguidores guardam um pouco de medo.

Eu voltei a olhar para a Deusa da Lua, e ela me deu um leve aceno.

— Eu já caminhei com uma deusa antes. — Ela me lançou um sorrisinho de canto. — E o que aprendi foi que, se ela quisesse que eu morresse, então eu estaria morta. Não há como mudar o meu destino depois que ele é traçado por uma deusa. Mas meu lobo, meu Lycan e a minha magia estão me dizendo a mesma coisa.

— E o que é? — O rosto dela mudou para um rosto maternal.

— Você precisa de mim para alguma coisa.

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