— Arrume as malas, Amy. — Minha mãe entrou, me surpreendendo enquanto eu fazia a lista das memórias dos próximos 6 anos.
— O quê? — Olhei para cima. — Arrumar as malas? Por quê?
— Você vai passar o verão com seu pai. Já consegui a aprovação do Alfa. — Mamãe sorriu para mim. — Vamos, querida. Faça suas malas e fique pronta.
Eu me levantei num pulo e corri até ela.
— Eu posso ir?
— Só durante o verão, querida, depois você voltará pra cá, e ficará comigo. Eu tive que prometer ao Alfa que você retornaria.
Fiz um bico.
— Mas, mãe, eu não quero ficar aqui.
Eu queria que eles pagassem, mas não queria arriscar que Brandon me encontrasse.
— Está tudo bem, querida. Você vai entender tudo quando reencontrar seu pai. — Ela afagou meu cabelo e beijou minha bochecha. — Agora vá se aprontar.
— Tudo bem, mãe. — Beijei-a de volta, e ela me deixou sozinha. Então, peguei meu celular pra travar a tela e voltei ao armário. Arrumei minha mala e fui para o banheiro, quando ouvi a porta de baixo bater com força.
— Eu sabia, porra! — Ouvi Shannon gritar, lá embaixo. Ignorei e continuei pegando as coisas no banheiro, depois, peguei meu notebook e os carregadores, enfiei tudo na mochila e desci.
— Shannon, por que está gritando? — Morgan estava na mesa com uma caneca de café na mão, e minha mãe corria de um lado pro outro quando empurrei minha mala pra dentro da sala.
— Eu não sou a companheira do Brandon, papai! — Correndo, Shannon entrou no cômodo e se atirou nos braços dele.
— Como tem tanta certeza? — Morgan a abraçou, mas eu apenas dei uma risadinha. Ela virou os olhos pra mim e veio pra cima.
— É você. Sua vadia estúpida! — Shannon tentou arranhar meus olhos, mas eu a joguei longe com um tapa.
— Amy! — Morgan se levantou, mas minha mãe impediu que ele intervisse.
— Morgan, você não pode gritar com a Amy por se defender. Foi Shan quem atacou primeiro. — Minha mãe colocou meu café da manhã na mesa. — Amy, venha comer. Você tem um longo dia pela frente.
— Amor? Por que a Amy está com uma mala?
— Ela vai passar o verão com o pai dela. — Minha mãe se virou pra mim e abriu os braços. — Venha, querida. Venha comer. O carro já está vindo, e você precisa estar pronta.
Sentei-me e comecei a comer.
— Por que ela vai ver o pai? — Morgan se aproximou e envolveu Shannon em seu colo.
— Ela quis passar o verão com ele antes de começar a faculdade. Quem sou eu pra dizer não? — Mamãe sorriu para mim e eu retribuí. Eu não sabia o que esse verão traria para me proteger e impedir Brandon de descobrir que eu era sua companheira, mas eu precisava disso. Não importa o que fosse, eu precisava.
— É, meu pai me ligou esta manhã e, como não o vejo desde o Natal, quando ele ofereceu os bilhetes, pedi pra minha mãe e ela deixou. — Sorri docemente para Morgan, e Shannon sorriu.
— Você vai embora? — Shannon se levantou.
— Para de ser obtusa, Amy. Todo mundo sabe o que significa quando um lobo gosta do cheiro de uma fêmea. — Shannon começou a chorar e escondeu o rosto nas mãos. — Ele é o homem que eu quero, papai. O único que eu aceitaria. Mas ele quer essa daí. — Então ela apontou pra mim.
— Não quero suas sobras, Shannon. Mesmo que ele fosse meu companheiro, e não estou dizendo que é, eu só aceitaria isso quando o inferno esfriasse. Eu preferiria o Rei Lycan ao Brandon. — Joguei a cabeça pra trás e ri, quando ela arfou.
O Rei Lycan era o bicho-papão dos lobos.
O último Lycan existente e que vivia nos ermos. Dizem que os únicos lobos que já viram seu rosto são os membros do conselho que supervisiona as alcateias.
Mas, de qualquer forma, eu não estava mentindo. Preferiria o Rei como companheiro antes mesmo de olhar na direção do Brandon.
— Você está mentindo. Ele é o alfa.
— E?
— Todo mundo quer ser a Luna.
— Só as idiotas querem ser a Luna. — Voltei a comer, enquanto Morgan tentava acalmá-la.
Então, uma buzina soou e minha mãe se levantou, dizendo:
— É pra você.
Assenti, levantei-me, beijei minha mãe e fui embora.

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