— Feche os olhos. — Eu mal tinha esfregado o sono dos olhos quando meu pai me sentou em seu escritório com o tio Ronnie. Me afundei mais na cadeira e fechei os olhos. — Agora quero que você traga a Nix mais para a superfície até que seus olhos mudem de cor.
— O acônito?
— Não vai interferir. Esperamos os últimos dois dias para ele sair do seu sistema. — Meu pai se acomodou atrás da mesa. Isso fazia sentido. Eu tinha ficado trancada no quarto nos últimos dias, fazendo o possível para não me transformar. E evitar outros lobos foi minha salvação. — Feche os olhos, Amy. — Assenti com a cabeça. — Quando a Nix estiver próxima à superfície, vou pedir para o Ronnie sentir seu cheiro. Assim que o cheiro mudar, podemos passar para a próxima etapa.
— Se o tio Ronnie sentir meu cheiro, isso não vai me ferrar? — Abri um olho de leve e meu pai balançou a cabeça.
— Não vamos nos transformar completamente, só trazer a Nix à tona o suficiente para sabermos quando você conseguir se camuflar. — Fechei o olho novamente e me recompus.
— Nix, preciso que você chegue mais perto. — Sussurrei, e o tio Ronnie riu.
— Você sabe que pode falar com ela pela mente, né?
— Você sabe que pode calar a boca, né, velhote? — Respondi, e ele deu uma risada.
Nix saiu das árvores no meu santuário interior. Ela se aproximou devagar. — Amy, você tem certeza de que isso é seguro?
— Nem um pouco, mas temos que esconder nosso cheiro, e é assim que aprendemos. — Dei de ombros e esperei até ela se aproximar. Senti meus olhos mudarem conforme ela se aproximava da superfície da minha alma, e abri os olhos para encarar meu pai. — Pronto.
Meu pai inclinou a cabeça na minha direção, e Ronnie se levantou. Quando chegou perto de mim, se ajoelhou e começou a farejar ao meu redor. Fiquei imóvel enquanto ele me cheirava, até que se afastou e me encarou. — Você está escondendo algo, filhote. — Os olhos do Ronnie tinham mudado para os olhos cinzentos de seu lobo, e ele se inclinou de novo. — Mas eu captei o cheiro dela. — Endireitou-se e se colocou de pé num pulo.
— Ok, feche os olhos novamente, Amy. — Meu pai se debruçou na mesa, e eu mergulhei de volta em mim mesma. — Conecte-se com seu poder. — Fiquei confusa sobre o que fazer, até me lembrar do pote. Nix, Megan e eu corremos até a clareira, e deslizei até parar em frente ao pote. Coloquei a mão sobre o pote e senti uma onda de energia percorrer meu corpo. Aquilo era poder. — Logo você vai se conectar com isso sem nem pensar. Mas por agora, talvez precise tocar sua fonte de poder. — Assenti.
— Como uma vela aromática ou algo assim? — Eu o encarei, e ele deu um leve sorriso.
— Algo assim. Só precisamos de algo que sua mente possa visualizar e manter no fundo da mente. Algo que venha fácil, para que você não precise se concentrar tanto.
— Tá… — Murmurei, fechando os olhos. — O que funciona melhor?
— Por que não tenta um e nós testamos, depois tenta o outro? Aquele que funcionar melhor será o que vamos focar. — Comecei pela vela aromática, já que era mais fácil de imaginar. Voltei à minha clareira e me sentei ao lado do pote. Nix colocou uma vela aos meus pés e eu a coloquei sobre o toco de árvore.
— Como acendo isso? — Olhei para Nix, e ela deu um sopro suave, acendendo a vela. Um aroma leve de baunilha e canela se espalhou. — E agora?
Esperei Ronnie se levantar, e ouvi ele inspirar profundamente, captando meu cheiro. — Antes, você cheirava a frutas cítricas e frutas vermelhas. Agora seu cheiro está confuso. Como se tivesse adicionado baunilha e canela. É estranho.

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