Mas Megan o ignorou. Ele se ergueu e se encostou às grades, puxando mais ar e o cheiro dela.
— Porra. — Então ele girou de costas. — Eu vou voltar com a sua próxima refeição.
Ele caminhou até a porta, pegou a bandeja que tinha deixado ali e voltou. Empurrou a comida pela abertura inferior da porta.
Megan se levantou de um salto. Ela caminhou devagar, observando Vince. Parou a certa distância das mãos dele. Depois, arrastou a bandeja com a pata até si.
Nós vimos as íris dos olhos de Vince quase desaparecerem nas pupilas antes de o lobo dele assumir o controle. Os olhos piscaram para um castanho-chocolate suave, e um ronco profundo vibrou no peito.
— Você cheira bem.
Megan revirou os olhos e cheirou a comida. Cada item precisava ser cheirado e provado e, em seguida, nós precisávamos esperar qualquer reação. Mas, assim que Megan cheirou a carne, ela recuou e estapeou a bandeja contra as grades.
O lobo de Vince a observou e então ele sorriu de canto.
— Garota esperta. A maioria não percebe a prata.
Megan soltou um rosnado baixo antes de lhe virar as costas. Ele rosnou de volta.
— Você pode fingir que não me acha uma ameaça, mas eu sei a verdade.
Ela só sacudiu a cauda, pulou de volta para a cama e fechou os olhos.
Vince, ou o lobo dele, ficou nos vigiando por mais um tempo antes de sair tempestuoso do prédio. O guarda que vigiava a porta voltou uns cinco minutos depois que ele saiu. Ele ofegava e tinha um sanduíche meio comido na mão.
Ele despencou na cadeira e resmungou:
— Ele me manda ir tirar uma porra de descanso e, depois, grita comigo por estar comendo. O que caralhos ele esperava que eu fizesse?
Megan permaneceu no mesmo lugar pelo resto do dia. Ela não tocou em nenhuma das comidas que Vince trouxe para ela. Simplesmente o ignorou toda vez que ele entrou. A única coisa que fez foi se reajustar a cada minuto, espalhando o próprio cheiro pelo ar.
Isso foi corroendo, aos poucos, a sanidade de Vince. No terceiro dia, ele estava de fato babando. Ele tinha acabado de dispensar o guarda e já estava nas grades, o mais perto que podia.
Assim que Megan o viu, ergueu-se e virou as costas para ele. Depois, agitou a cauda ao se acomodar de novo, lançando o cheiro ao ar. Ele enfiou uma mão para dentro com um pouco de água. Megan ouviu uma gota d’água atingir o chão e abriu os olhos, pensando que viera do copo, mas percebeu que Vince estava imóvel. Os olhos dele estavam semicerrados e vidrados. A boca, ligeiramente aberta, arfava o cheiro dela, e outra gota de baba caiu no chão.
— Vem aqui. — Ele tentou ordená-la, mas as palavras escorregaram pelas costas dela. Ele fechou os olhos e bateu a testa nas grades. Guinchou e pulou para trás.
Megan só balançou a cabeça, devagar.
— Esqueceu que a sua própria cela era de prata?
Vince sacudiu a cabeça para clarear as ideias.
— O seu cheiro está dificultando que eu pense.
Megan bufou.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Destino Alterado (Alicia S. Rivers)
O livro está como concluído porém terminaram sem continuacao falta ainda o conselho emacharmos licans e chato pararem no ápice do livro...